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30/06/2010 - 17h36

Confiança na indústria cede, mas setor segue aquecido, diz FGV

SÃO PAULO - O aperto na política monetária e a retirada de estímulos fiscais - dentro das ações de saída das medidas anticrise - ocasionaram uma moderação do otimismo da indústria, mas ainda não conseguiram conter o aquecimento do setor, revelaram números divulgados hoje pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

De acordo com a sondagem da instituição sobre a indústria de transformação, o recuo de 0,7% do índice que mediu a confiança do setor industrial em junho foi puxado mais pelos indicadores referentes às perspectivas aos próximos meses do que propriamente pelos números acerca da situação atual das empresas.

Segundo Aloísio Campelo, coordenador de sondagens conjunturais do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, o levantamento - realizado entre os dias 2 e 25 deste mês com 1.187 empresas - mostra que, apesar de alguma expectativa de desaceleração, a atividade da indústria ainda é "muito forte".

Essa situação fica latente na análise dos números de produção e do chamado Índice da Situação Atual (ISA), formado por dados sobre estoques, demanda e situação dos negócios.

Nesse caso, o destaque foi o indicador que apura a situação de insuficiência de estoques, que avançou de 100,5 para 103 pontos de maio para junho. Já o indicador que apura a percepção de forte demanda, praticamente estável, passou de 120,8 para 120,9 pontos, na esteira de uma recuperação das exportações.

A pesquisa também mostra um crescimento na perspectiva de maior produção nos próximos três meses, cujo indicador subiu de 129,2 para 132,2 pontos, além de revelar que a utilização da capacidade instalada na indústria avançou de 84,9% para 85,5%.

Segundo Campelo, os resultados do levantamento revelam que a demanda continua aquecida, mas também trazem à tona a preocupação acerca das implicações da retomada das altas de juros sobre as vendas e as condições de captação de recursos pelas empresas. No quesito que aponta a percepção de boa situação dos negócios, o estudo mostrou um recuo de 2,6 pontos entre maio e junho, para 130,7 pontos.

O término dos estímulos fiscais dados durante a crise financeira, como a redução do IPI nas vendas de bens de consumo, também pode ter influenciado as respostas dos participantes, afirmou o economista. Nesse caso, o levantamento mostra baixas tanto no indicador da perspectiva de contratações nos próximos três meses - que caiu de 126,2 pontos, para 124 pontos - como no indicador referente à tendência positiva para os negócios nos próximos seis meses, que cedeu 7,5 pontos, para 152,8 pontos.

Na síntese desses quesitos, o índice que mede a situação atual das empresas (ISA) ficou praticamente estável de maio para junho, passando de 119,2 para 119,3 pontos, enquanto o índice que reúne os quesitos de expectativas (IE) caiu de 113 para 111,3 pontos.

Apesar da queda deste mês, o Índice de Confiança da Indústria (ICI), que está em 115,3 pontos, segue em linha com os patamares registrados antes do início da crise financeira em sua fase mais dura, marcando alta de 5,5% desde setembro de 2008, mês da quebra do Lehman Brothers.

"O patamar ainda é comparável aos bons momentos do biênio 2007/2008", afirmou Campelo, durante apresentação da pesquisa a jornalistas. A melhor marca do ICI foi registrada em novembro de 2007, quando atingiu 116,9 pontos.

(Eduardo Laguna | Valor)

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