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01/07/2010 - 07h54

Bovespa teve o pior trimestre desde a crise de 2008

SÃO PAULO - Os mercados brasileiros e internacionais bem que tentaram, mas não conseguiram confirmar um pregão de recuperação depois do tombo na última terça-feira (29).

A não ser que fosse uma melhora histórica, não tinha mais como mitigar as perdas acumuladas tanto no mês quanto no segundo trimestre.

Começando pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), junho terminou com queda de 3,35%. Já o segundo trimestre representou um tombo de 13,41%, o que fez desse o pior resultado trimestral desde o terceiro trimestre de 2008. No ano, a Bolsa deve 11,16%.

Em Wall Street, os índices também apresentaram desempenho negativo, o Dow Jones devolveu 3,6% em junho, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq recuaram 5,4% e 6,6%, respectivamente. Perdas de dois dígitos no trimestre. O Dow Jones caiu 10%, o S&P, 11,9% e o Nasdaq, 12%.

No meio dessa onda vendedora em ações, o normal de se esperar seria uma disparada de preço no dólar, pelo menos no mercado local. Mas não foi isso o que aconteceu. A valorização foi de 1,29%. No mês, a divisa americana ainda caiu 0,93%.

O que explica esse descolamento não é o famoso fluxo de dinheiro para o país. Não há sobra de moeda já o Banco Central compra todo o dólar que sobra, via conta comercial ou financeira, e mais um pouco.

A saída é olhar para o mercado de derivativos, onde as apostas foram majoritariamente a favor do real. O destaque aqui fica com os bancos.

Fora isso, as instituições financeiras também estão vendidas (aposta pró-real) no mercado à vista. Tudo sugere que os agentes utilizam essa expectativa de fluxo, afinal o Brasil está no noticiário mundial com uma operação de bilhões de dólares da Petrobras, para fazer suas apostas no mercado de derivativos.

O trader de renda fixa e câmbio do Banco Modal, Luiz Eduardo Portella, apontou que o mercado se apoia na expectativa de fluxo futuro de recursos para seguir com posições vendidas (apostas pró-real).

No entanto, diz Portella, tal situação não deixa de representar um risco, pois a porta de saída pode ser pequena no caso de algum revés, seja ele externo ou interno, como um novo adiamento para oferta de ações da Petrobras.

Ibovespa

O analista técnico da Icap Brasil, Raphael Figueredo, assinalou que, ao perder o suporte na faixa dos 61.100 pontos, o Ibovespa segue comprometendo a tendência de alta de curto prazo, para buscar a faixa dos 60.500 pontos.

De acordo com Figueredo, sinais de recuperação no curto prazo começarão a aparecer se o Ibovespa voltar a trabalhar acima dos 61.100 pontos e 62.645 pontos, na sequência. "O momento é de cautela", afirmou.

No câmbio, o dólar comercial devolveu boa parte da alta da terça-feira, mas, ainda assim, fechou junho valendo mais de R$ 1,80.
 

PIB


Conforme o esperado, o BC também revisou sua projeção para o crescimento do PIB em 2010. A previsão de 5,8% foi para 7,3%. O que supera a mediana do mercado, que segundo o último boletim Focus estava em 7,13%.

Para o analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart, o relatório de inflação mostrou duas vertentes. Uma aparentemente tranquila, que assume mais 175 pontos-base de alta na Selic como suficiente para que a inflação fique próxima ao centro da meta (4,6% do cenário de mercado ) em 2011.


(Eduardo Campos | Valor)

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