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01/07/2010 - 12h17

Ciclo de alta da Selic acaba em setembro, aposta CNI

BRASÍLIA - A forte expansão dos investimentos vai alavancar um crescimento maior da atividade, e também contribuir para que a nova trajetória de alta dos juros seja breve e menos e intensa. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Banco Central (BC) deve parar de elevar a taxa básica Selic em setembro.

"Os empresários retomaram seus projetos de investimentos ainda no ano passado, quando viram que a crise mundial não duraria por aqui. Esses investimentos maturaram e novos estão sendo implementados, gerando expectativas de sustentabilidade para o crescimento econômico", avalia o economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco.

Em revisão divulgada hoje, a CNI elevou de 18% para 24,5%, a previsão de crescimento dos investimentos no ano, o que deverá levar a taxa da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) a 19,4% do Produto Interno Bruto (PIB) - bem próximo à média de 20% do PIB dos anos 1970.

É com base nesse novo cenário de ampliação da capacidade produtiva que a CNI aumentou de 6% para 7,2%, sua projeção para a alta real do PIB em 2010 sobre 2009.

Castelo Branco destacou que o ritmo dos investimentos este ano está beirando o de 2008, quando a economia brasileira registrava forte dinamismo, até ser parcialmente brecado pela crise.

E explica que os investimentos estão ampliando o parque fabril e gerando um aumento no uso da capacidade instalada (UCI), fundamental para garantir a oferta e reduzir descompasso em relação à demanda. Ontem, no Relatório Trimestral de Inflação, o BC destacou que há preocupação com esse descompasso, "no curto prazo".

O economista da CNI disse que a UCI está com uma média de 83%, "mesmo nível mantido por vários meses em 2007 e 2008". Segundo ele, isso mostra a maturação dos investimentos, e abre caminho para que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC comece a recuar na elevação da Selic.

"Há outros fatores, como o recuo nas projeções de inflação, impactos da Selic no crédito de curto prazo, que começa a desacelerar, entre outros, que podem colocar freios no aquecimento excessivo da demanda interna", justificou Castelo Branco.

A CNI projeta a Selic em 11,5% ao fim do ano, uma situação fiscal acomodada no segundo semestre por redução de gastos do governo, e queda na relação da dívida liquida do setor público com o PIB para 40,9%.

Do lado externo, a entidade vê aumento nas importações para US$ 180 bilhões, mas vendas externas superiores, em US$ 190 bilhões, gerando superávit comercial de US$ 10 bilhões.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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