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01/07/2010 - 18h07

Concessionárias reduzem previsão para venda de motos

SÃO PAULO - A Fenabrave, entidade que abriga as concessionárias de veículos, mostrou hoje que está mais pessimista quanto ao desempenho do mercado de motocicletas, rebaixando de 10,13% para 7,99% sua previsão ao crescimento do setor em 2010.

Segundo o presidente da entidade, Sérgio Reze, a nova estimativa segue a alta seletividade dos bancos na liberação de crédito aos consumidores, com maior dificuldade na comprovação de renda, um dos principais públicos do segmento duas rodas.

Essa restrição - que é um dos resquícios da crise financeira - justificou em dezembro o estímulo mais agressivo do governo ao setor, com a injeção de R$ 3 bilhões em crédito a motocicletas pelos bancos públicos Caixa Econômica Federal (CEF) e Banco do Brasil (BB), junto com a isenção da cobrança de Cofins a motos de até 150 cilindradas no primeiro trimestre.

No entanto, Reze disse hoje que o mercado tem reagido mais devagar do que o desejável. De janeiro a junho, as vendas de motocicletas no país cresceram 8,56%, somando 831,2 mil unidades. A liderança no período ficou com a Honda, que teve uma participação de mercado de 77,4%, seguida pela Yamaha (11,49%).

Após o recorde registrado no primeiro semestre deste ano, a expectativa da entidade é que o crescimento nas vendas de veículos perca um pouco de fôlego até dezembro. Apesar disso, a tendência ainda é de volumes mais robustos na segunda metade do ano, em relação ao primeiro semestre, em virtude de fatores sazonais - como a entrada do décimo terceiro salário na economia, que faz do último bimestre um dos melhores períodos de venda das montadoras.

Quando se olha apenas ao mercado de carros de passeio e utilitários - que cresceu 7,32% nos seis primeiros meses do ano e somou 1,495 milhão de unidades -, a Fenabrave prevê uma expansão de 6,49% em 2010. Com base nessa projeção, mais 1,708 milhão de carros novos deverão ser comercializados nos próximos seis meses.

A entidade está mais otimista com as vendas dos chamados comerciais leves, que ganharam competitividade em relação aos carros de passeio mais potentes com o fim dos estímulos fiscais dados durante a crise.

Com o término da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nas vendas de veículos a partir de abril, a alíquota do imposto incidente sobre as caminhonetes voltou para 8%, mais baixa do que as taxas cobradas em automóveis com mais de mil cilindradas: de 11% ou 18%, a depender da potência do motor.

Para as vendas de carros de passeio, a Fenabrave reduziu sua previsão ao crescimento neste ano de 6,39% para 5,6%, enquanto que para os utilitários a expansão prevista passou de 7,03% para 10,65%.

Reze assinalou que a diminuição no ritmo do setor repercute uma acomodação natural após um período de elevada expansão. "Não dá pra crescer sempre 10% ou 15%", afirmou o executivo durante entrevista coletiva à imprensa.

De acordo com ele, o reajuste nos preços dos insumos da cadeia, como o aço, ainda não foram repassados ao consumidor. "A competição faz com que a montadora avalie com muito critério a transferência desse custo", afirmou, acrescentando que o aumento da concorrência tem acarretado perdas de margens tanto aos fabricantes como aos concessionários.

(Eduardo Laguna | Valor)

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