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01/07/2010 - 12h05

DIs caem na BM & F ante resultado da produção industrial

SÃO PAULO - Com um resultado mais fraco que o previsto em maio, o desempenho da produção industrial brasileira se reflete na redução expressiva dos prêmios de risco embutidos na curva de juros futuros na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F).

Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 cedia 0,09 ponto percentual, para 11,97%, enquanto os DIs dos primeiros meses de 2013 e 2014 recuavam 0,11 ponto, projetando taxas de 12,07%.

Na parte mais curta da curva, por sua vez, o DI com vencimento em outubro de 2010 subia apenas 0,015 ponto, para 10,895%, enquanto o contrato de janeiro de 2011 diminuía 0,04 ponto, para 11,31%.

A produção industrial brasileira ficou estável entre abril e maio e subiu 14,8% na comparação com o quinto mês de 2009, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora o desempenho da produção tenha vindo mais fraco que o projetado pela SLW Asset Management, o gestor Gustavo Gazaneo assinala que a perspectiva para as próximas decisões de política monetária do Banco Central (BC) se mantém.

"Continuamos apostando em mais duas altas da taxa Selic, elevando-a para 11,75% até o fim do ano. Vamos ainda olhar os próximos dados da produção e também para a Europa, que pode trazer algum ruído para a próxima reunião do Copom", comentou.

Segundo ele , além de refletir os dados da atividade manufatureira nacional de maio, a queda dos DIs também espelha os resultados mais fracos que o projetado da indústria chinesa e americana, em junho.

A economista da Icap Brasil, Inês Filipa, também não alterou seu cenário base para a taxa Selic, mas destacou que o arrefecimento da produção brasileira deixou algumas dúvidas iniciais.

"O menor desempenho da atividade em alguns setores reflete somente um ajuste de estoque, uma acomodação num nível elevado de capacidade instalada ou um menor nível de demanda após uma antecipação do consumo? À princípio, notamos que algumas atividades se adequam após o fim dos incentivos fiscais, e outros mantém bom nível de crescimento em linha com as necessidades internas, principalmente na produção de máquinas e peças voltadas para o setor empresarial", observou, em relatório enviado ao mercado.

Na avaliação da Icap, a indústria deve crescer no segundo semestre do ano, com alguns investimentos mostrando maturação.

"Quanto à política monetária, o dado não altera o cenário de mais dois ajustes de 0,75 ponto da Selic e mais um de 0,50 ponto, fechando o ano com taxa de 12,25%", pontuou.

(Beatriz Cutait | Valor)

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