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01/07/2010 - 17h25

Dólar cai e vale R$ 1,796, enquanto o Euro sobe a US$ 1,25

SÃO PAULO - Apesar da forte queda no preço das commodities e da instabilidade nas bolsas, o real começou o mês ganhando valor. Mas no pregão desta quinta-feira, o mérito não é tanto do real, mas sim da perda global de força da moeda americana.

Depois de ensaiar alta e bater R$ 1,814, o dólar comercial encerrou a jornada com baixa de 0,44%, a R$ 1,794 na compra e R$ 1,796 na venda. Na semana, a moeda ainda ganha 0,89%. O giro estimado para o interbancário ficou em US$ 2,0 bilhões.

Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar cedeu 0,33%, para R$ 1,795. O volume marcou US$ 274 milhões, alta de 21% sobre o registrado ontem.

No mercado futuro, o dólar com vencimento agosto, registrava baixa de 0,79%, a R$ 1,802, antes do ajuste final de posições.

Dados negativos sobre a economia americana, como menor atividade industrial, e maior demanda por seguro-desemprego, levaram os agentes a rever seu posicionamento em moedas e outros ativos.

O destaque, hoje, fica com o euro, que saltou mais de 2%, retomando a linha de US$ 1,25, preço não observado desde meados de maio.

Segundo o sócio-gestor da Platina Investimentos, Rodrigo Donato, o que acontece é uma cobertura de posições vendidas em euro. Um movimento técnico que mostra a reversão de apostas de queda da moeda comum europeia.

Donato lembra que o mercado estava com um grau de pessimismo muito agressivo com relação ao euro. Os agentes montavam posição contra a moeda acreditando que estavam fazendo uma proteção contra eventos negativos na zona do euro, como um default da Grécia, ou rebaixamento de nota de Portugal e Espanha.

Acontece que a essa última rodada de deterioração de expectativas não foi liderada pela Europa, mas sim pelos Estados Unidos e China. Com isso, explica o gestor, os investidores tiveram que rever suas apostas contra o euro. Essa movimentação também derrubou o dólar em outras praças, incluindo o Brasil, só que com intensidade bem menor.

"Tinha muita gente com moeda como forma de proteção. Mas como as coisas começaram a piora para o outro lado. Esses agentes ficaram com uma falsa proteção. Então começaram a zerar essas posições", resume. Donato pondera, no entanto, que tal comportamento do euro não pode ser visto como tendência. Há espaço para a divisa ganhar um pouco mais de valor, mas vale lembrar que a crise continua existindo e que a Europa enfrenta problemas estruturais.

(Eduardo Campos | Valor)

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