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01/07/2010 - 10h53

Produção de gasolina afeta indústria em maio

RIO - Apesar da surpresa do mercado com a estabilidade da produção industrial em maio em relação a abril, o freio foi considerado pontual pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O principal efeito negativo foi o recuo do refino de petróleo e produção de álcool, que apresentou queda de 4,6% em maio, na comparação com o mês anterior.

O recuo foi registrado após forte alta de 13,3% em abril. Isso afetou o resultado dos produtos semi e não duráveis, que tiveram queda de 0,9% em relação a abril, e afeta também os bens de consumo, que registraram recuo de 0,5% na mesma comparação.

De acordo com o gerente de Análises e Estatísticas Derivadas do IBGE, André Macedo, o efeito de paradas técnicas de produção em algumas refinarias acabou afetando o resultado, mas não há como saber se isso vai se repetir nos próximos meses.

"A indústria estava muito bem no primeiro trimestre. O resultado atual é acomodação no patamar elevado de março, em função do crescimento anterior. A gente precisa esperar os resultados seguintes para entender como está o desempenho industrial", disse Macedo.

Outro setor de atividade que teve influencia negativa sobre a produção industrial foram os alimentos, que registraram queda de 1,7%, após quatro meses de alta consecutiva, com 8,3% acumulados nesse período. O setor de farmacêuticos também apresentou queda, de 4,6%.

No entanto, houve mais atividades com alta do que com queda na comparação entre maio e abril. Foram 16 avanços ante 11 recuos. O principal impacto positivo ocorreu no setor de bebidas (4,8%), após registrar queda de 11,5%. Em seguida estão materiais eletrônicos e de comunicações, que avançaram 6,1% impulsionados pela produção de televisores para a Copa do Mundo.

O gerente do IBGE ressaltou que, para ter noção melhor de como está a tendência da produção industrial no país, é preciso analisar a média de três meses consecutivos, que neutraliza efeitos pontuais.

Nos três meses encerrados em maio, houve variação positiva em relação aos três meses terminados em abril, o que demonstraria tendência ascendente da indústria no país. "A média móvel trimestral mostra trajetória ascendente observada desde março do ano passado. Já são 15 meses positivos. Com esse conjunto de resultados, a gente observa o cenário atual de estabilidade da produção industrial como acomodação no patamar já elevado", disse.

No acumulado do ano, a indústria registrou recorde em toda a série histórica iniciada em 1991, com o avanço de 17,3%. No entanto, o nível elevado é impulsionado pelo baixo patamar de comparação do ano passado, quando a produção ainda sofria os efeitos da crise internacional.

(Juliana Ennes | Valor)

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