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05/07/2010 - 08h13

Ibovespa e S & P caem mais de 5% na semana; Dólar vale menos de R$ 1,80

SÃO PAULO - No pregão de sexta-feira, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou a se descolar das perdas do mercado americano e garantiu um dia de alta. No entanto, isso não foi suficiente para impedir que a semana fosse uma das piores em quase dois meses, com o Ibovespa recuando mais de 5%. No câmbio, a formação de preço do dólar seguiu à parte das bolsas e das commodities. Mais ligado ao euro e a outras moedas que ganham valor conforme perde força o ritmo de recuperação nos Estados Unidos, o real voltou a subir. Na semana, o dólar ainda ficou mais barato, apesar de toda a turbulência externa.

No mercado de juros futuros, o forte desmonte de posições na quinta e na sexta-feira determinou o desenho da curva.

Olhando para Wall Street, a semana não foi das melhores. Uma sequência de indicadores negativos sobre a economia abriu o caminho para as vendas e os índices não caiam tanto em cinco pregões desde o começo de maio.

Na sexta-feira, o Dow Jones perdeu 0,47%, para 9.686 pontos. O S & P 500 também devolveu 0,47%, para 1.022 pontos e o Nasdaq cedeu 0,46%, para 2.091 pontos. Na semana, o Dow Jones caiu 4,51%. O S & P 500 cedeu 5,03% e o Nasdaq afundou 5,92%.

Detalhando, agora, o comportamento do mercado local. As ações dos bancos e da Petrobras seguiram chamando compradores e, com isso, o Ibovespa fechou o dia com leve alta de 0,32%, a 61.429 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 3,64 bilhões, prejudicado pelo o que se confirmou como último jogo do Brasil na Copa do Mundo. Na semana, o índice perdeu 5,24%, pior desempenho desde a primeira semana de maio, quando o índice tombou 6,90%.

No câmbio, o dólar comercial encerrou a jornada valendo R$ 1,776 na compra e R$ 1,778 na venda, queda de 1%. Na semana, a divisa acumulou leve baixa de 0,11%.

Chamou a atenção o elevado volume negociado no interbancário. A estimativa apontava para US$ 2,7 bilhões, volume alto para uma sexta-feira que ainda contou com pausa para jogo da Seleção na Copa do Mundo. Tal giro ajudou a reforça a percepção de entrada de recursos no mercado local.

Fora isso, alguns operadores que preferiram não se identificar notaram grandes operações diretas entre alguns bancos, sugerindo pressão de baixa no preço antes da liquidação dos contratos do dia.

Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar cedeu 1,02%, para R$ 1,7767. O volume marcou US$ 129,50 milhões, queda de 53% sobre o registrado na quinta-feira.

No mercado de juros futuros, os contratos longos deram continuidade ao ajuste de baixa iniciado na quinta-feira. Segundo o sócio da Oren Investimentos, Jacob Weintraub, o mercado vinha com uma posição muito comprada em juros e os dados de produção industrial, que mostraram estabilidade ao invés de alta, serviram de gatilho para o desarme dessas apostas.

Fora isso, diz o especialista, o risco de uma desaceleração mais acentuada na economia mundial no ano que vem também ganhou peso na avaliação dos agentes.

Essa piora de expectativas com relação à atividade global em 2011, diz Weintraub, é evidenciada pelo comportamento das bolsas americanas e pelo preço das commodities.

De volta ao cenário local, o especialista aponta que o desenho atual da curva sugere duas hipóteses. Ou o Banco Central faz mais duas altas de 0,75 ponto na Selic, ou dá mais um aperto de 0,75 ponto e depois reduz o ritmo.

Antes do ajuste final de posições na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em agosto de 2010 registrava estabilidade a 10,35%. Outubro de 2010 ganhava 0,01 ponto, a 10,90%. Mas janeiro de 2011 recuava 0,01 ponto, a 11,31%.

Entre os longos, o contrato para janeiro de 2012, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,03 ponto, a 11,92%. Janeiro de 2013 também devolvia 0,03 ponto, a 12,01%. E janeiro 2014 caía 0,04 ponto, a 12%.

Até as 16 horas, foram negociados 292.525, contratos, equivalentes a R$ 25,44 bilhões (US$ 14,13 bilhões), um quarto do registrado ontem. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 118.435 contratos, equivalentes a R$ 10 bilhões (US$ 5,55 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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