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06/07/2010 - 19h31

Marina aposta em comitês domiciliares para superar obstáculos

SÃO PAULO - A senadora Marina Silva, candidata do PV à Presidência, deu início hoje à campanha com a receita que pretende implementar para superar os obstáculos e alcançar o segundo turno. Ela visitou no bairro do Campo Limpo, na zona Sul de São Paulo, a primeira "Casa de Marina". O imóvel, que pertence ao militante e promotor de vendas Adriano Prado, será uma espécie de comitê eleitoral domiciliar. A ideia é que o local acolha os simpatizantes da candidatura de Marina para discussões sobre propostas de governo com familiares, vizinhos e amigos. Nesta semana, a candidata do PV viaja aos Estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais para prestigiar novas iniciativas de "Casas de Marina". Desta forma, a senadora espera reduzir a vantagem dos seus adversários, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), nas pesquisas de intenção de voto. Além disso, acredita que, com essa fórmula, poderá compensar a falta de recursos e o curto tempo de propaganda eleitoral gratuita que tem devido à falta de alianças.

"Quem foi que disse que isso (Casa de Marina) não é competitivo, que só é competitiva a política massacrante com rios de dinheiro sem envolvimento com as pessoas, onde o que vale é quase que uma guerra entre os candidatos? Competitividade, para mim, é o compromisso com a solidariedade", argumentou.

Marina, no entanto, ressaltou que não há metas para inauguração de comitês domiciliares. Segundo ela, o processo deve transcorrer de forma natural. "Se nós colocarmos meta, vamos reduzir o processo e vai deixar de ser um movimento da sociedade. Queremos que a coisa seja autêntica", afirmou. Mesmo assim, o PV vai colocar na internet informações, em formato de kit, para quem desejar montar uma "Casa de Marina", além de orientações jurídicas sobre os limites de atuação dos locais. "O investimento é do próprio cidadão. Cada um copia a arte no site e faz sua camiseta, banner e adesivo. Também é uma forma de economizar recursos. Não tem o caráter de um comitê oficial de campanha, mas é um meio mobilizador muito forte e rápido", explicou Marina. Na casa de Adriano Prado, por exemplo, foi a própria família que arcou com os custos dos banners que enfeitavam a fachada da casa. O promotor de vendas, no entanto, ficou sabendo apenas hoje pela manhã de que o seu imóvel iria se transformar em um comitê domiciliar. Até ontem à noite, o PV ainda estudava a viabilidade de começar a campanha no Rio de Janeiro, onde o partido lançou na disputa estadual o deputado federal Fernando Gabeira. O candidato ao governo fluminense, porém, cancelou seus compromissos no Estado para participar da votação dos projetos de regulamentação do pré-sal, em Brasília. Marina, por sua vez, rejeitou a hipótese do evento de hoje ter sido um improviso. "Vocês viram, pelo envolvimento dele (Adriano), que não tem nada de improvisado. Tem várias pessoas que gostariam de receber o que o Adriano está recebendo", justificou a candidata, minimizando a pequena participação dos militantes. No fim do evento, a senadora também procurou demonstrar otimismo com relação ao seu futuro nas eleições presidenciais. "O jogo está mudando. Já quebramos o plebiscito. Existem três candidaturas e isso já é uma primeira conquista", disse. De acordo com a última pesquisa Ibope, Marina está em terceiro lugar, com 8% das preferências. Serra e Dilma estão empatados com 39%.

(Fernando Taquari | Valor)
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