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08/07/2010 - 12h43

Indústria avança mas ainda com produção abaixo do pré-crise 2008

BRASÍLIA - Apesar do avanço firme dos principais indicadores da indústria, a produção efetiva ainda não se recuperou totalmente do forte tombo com a crise mundial. No acumulado deste ano até maio, dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que as horas trabalhadas ainda estão 3,2% abaixo do registrado no período pré-crise.

O economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco, atribui o descompasso das horas trabalhadas frente à evolução "bastante positiva" dos demais indicadores à baixa demanda externa. Segundo ele, embora a aquecida demanda interna siga sustentando o crescimento geral da atividade, a produção industrial voltada para a exportação "ainda é muito lenta e não deve se recuperar, de todo, este ano." O economista destaca que melhoraram as previsões para o crescimento das economias avançadas em 2010, mas ainda apontam algo ao redor de 2,6%.

"Nossas exportações de manufaturados mostram alta, mas sobre uma base deprimidíssima de 2009", quando a indústria foi o setor mais atingido pela crise.

Mesmo sem ter o peso da produção exportável no indicador de horas trabalhadas da indústria como um todo, ele assegura: "Ainda temos um efeito da crise mundial amortecendo nossa produção para o exterior." De qualquer forma, a CNI aponta que com base nos dados até maio, se nada acontecer até o fim do ano, o efeito carregamento garante uma evolução de 6,2% das horas trabalhadas, ante 2009.

No ano passado, esse indicador usado para medir a produção industrial pela CNI registrou recuo médio de 7,5% sobre 2008. No mês de maio deste ano cresceu 1% sobre abril (dessazonalizado), 7,5% no acumulado do ano e 9,9% em 12 meses. Na comparação com o período pré-crise, a entidade mostra que em setembro de 2008 o índice dessazonalizado de horas trabalhadas estava em 111 pontos. Agora em maio, o mesmo índice ficou em 107,5 pontos.

Castelo Branco chama a atenção para o faturamento real da indústria, com alta acumulada de 12,5% entre janeiro e maio, e 13,9% sobre o mesmo mês de 2009. Além do emprego com evolução mensal positiva em todos os meses, acumulando 3,9% de alta no ano e a massa salarial real com expansão de 4,6% na mesma comparação, "mas pelo aumento do emprego do que por aumento de salário, ou seja, sem pressão inflacionária", diz o economista.

Ele destaca ainda o efeito positivo de investimentos na indústria. Prova disso seria o recuo de 0,5 ponto percentual no indicador de uso da capacidade instalada (UCI), para 82,3% ante 82,8% em abril. A tendência, segundo a CNI, "é de estabilização" desse indicador.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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