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08/07/2010 - 10h38

Produção de trigo cresce, mesmo com produto de 2008 encalhado

RIO - Apesar da dificuldade de vendas, a produção de trigo no país deve continuar aumentado, estima o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A plantação deste ano deve chegar a 5,245 milhões de toneladas, 5,7% superior ao registrado em 2009. E a produção de junho foi 1,8% maior do que o verificado em maio passado. O incremento se dá mesmo com o cenário bastante desfavorável para a cultura. De acordo com o gerente de Agricultura do IBGE, Mauro Andreazzi, o Paraná ainda tem estocadas, sem conseguir vender, 300 mil toneladas referentes à safra de 2008. Ele explicou que o subsídio dado por outros países faz com que os preços sejam muito baixos, o que dificulta a exportação brasileira. "Além de ser difícil comercializar o produto devido aos preços, a qualidade do ano passado ainda ficou ruim devido às fortes chuvas de 2009. Então o trigo passa a concorrer com o milho, ao ser enviado para utilização como ração para animas, o que joga os preços do milho também para baixo", disse Andreazzi.

Outra cultura que sofreu bastante com as chuvas foi o arroz. Mas o estrago foi feito nas plantações deste ano, que devem ficar 10,4% abaixo do ano passado. O Rio Grande do Sul teve sérios problemas com excesso de chuvas. As enchentes na região de arroz atrasaram o plantio e reduziram as áreas disponíveis, devido ao encharcamento. A produção interna de outro produto de grande importância para a alimentação do brasileiro, o feijão, deve ficar abaixo da necessidade verificada no país. A produção de 3,328 milhões de toneladas já leva em conta a terceira safra do ano, que não é comum em outras localidades do mundo, que contam apenas com duas safras anuais. "De acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o consumo aparente interno é de 3,5 milhões de toneladas. Então, ou aumentamos a terceira safra, ou importamos do Uruguai. E isso já está sendo sentido nos preços do feijão, que subiram", disse o gerente de Agricultura do IBGE. O café, também de grande peso na mesa do brasileiro, sofreu com altas temperaturas na Zona da Mata, que prejudicaram o plantio em Minas Gerais, elevando o número de floradas e prejudicando a qualidade do produto. Com isso, em junho a produção foi 0,1% menor do que a de maio, que já havia sofrido com os mesmos problemas. De qualquer forma, no ano a produção ainda é 12,7% superior ao registrado em 2009, devido aos ciclos curtos do principal café produzido no país, o tipo arábica.

(Juliana Ennes | Valor)

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