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16/07/2010 - 21h00

Lula, Cabral e diretoria da Petrobras apoiam Dilma em comício no Rio

RIO - A chuva forte que caiu sobre o Rio de Janeiro desde o início da tarde desta sexta-feira esvaziou o primeiro comício da candidata à presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff. Ainda assim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Sergio Cabral e cúpula da Petrobras compareceram ao evento. O presidente Lula disse que, mesmo debaixo de chuva e com "uma procuradora qualquer" tentando tirá-lo da campanha eleitoral, não perderia a chance de participar do evento. O presidente fez referência à procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau, que afirmou que Lula pode ter cometido abuso de poder político ao fazer elogios a Dilma.

"Há uma tentativa de me tirar da campanha política, para que eu não ajude Dilma a ser a presidenta desse país. O que eles querem é me inibir, para eu fingir que não conheço a Dilma, para que eu passe por ela e vire o rosto. Mas não sou homem de duas caras. Vou dizer que a minha companheira Dilma, que foi chefe da Casa Civil, está preparada para ocupar a presidência da República desse país", disse Lula em seu discurso. Já a candidata não pediu para votos para si mesma, disse apenas que vai continuar o legado de Lula, lutando por um país mais justo, com menos violência. Votos mesmo ela pediu para o governador Sergio Cabral, candidato à reeleição. No entanto, Dilma aproveitou o palanque para atacar, indiretamente, o adversário José Serra.

Sem citar nome algum, ao elogiar o seu candidato a vice-presidente, Michel Temer, Dilma aproveitou para alfinetar a escolha de Índio da Costa para a chapa tucana. "Meu vice não caiu do céu, não é improvisado. Ele é um homem competente e capaz, que tem história", disse a candidata.

Temer falou pouco em seu discurso, dizendo apenas que a chuva forte que caía era como uma "água benta" que os céus mandaram para dizer que Cabral será eleito governador e Dilma, presidente. O presidente Lula, que vestia um casaco dado de presente pelo colega boliviano Evo Morales, lembrou do passado de Dilma, dizendo que ela lutou contra a ditadura militar e pela democracia do país. Mas a candidata cometeu uma gafe em seu discurso, ao dizer que o grande comício pelas Diretas Já, realizado no Rio de Janeiro, foi no mesmo local onde estava sendo realizado o comício eleitoral. No entanto, o comício da petista foi realizado na Cinelândia, e o comício pelas Diretas, na Candelária. Outro grupo que lembrou do passado de luta na ditadura foi o comandado pelo deputado federal pelo PP, Jair Bolsonaro. Com manifestantes carregando faixas contra a candidata, com dizeres como "Dilma, ficha suja de sangue", o deputado disse que estava ali para lembrar o passado. "Ela não se orgulha tanto do passado dela? Estamos aqui contando quem é Dilma", disse.

Um dos filhos do deputado, Flavio Bolsonaro, que é deputado estadual pelo mesmo partido do pai, iniciou uma confusão com participantes do grupo petista e teve que ser amparado pela segurança, refugiando-se na área selecionada à imprensa. No entanto, o PP é da coligação a favor de Dilma.

(Juliana Ennes | Valor)

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