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16/07/2010 - 14h02

Lula responsabiliza governo de SP por atraso em licenças ambientais

DIADEMA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou hoje o governo de São Paulo pela demora na concessão de licenças ambientais no Estado para obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Ao atribuir os atrasos ao governo paulista, Lula faz uma crítica indireta ao candidato do PSDB à Presidência, José Serra, que ocupou o cargo de governador até o final de março, quando se desincompatibilizou para concorrer nas eleições de outubro.

As declarações do presidente foram dadas durante a inauguração de um conjunto habitacional em Diadema, região metropolitana de São Paulo, que contou com investimentos de R$ 13,8 milhões. Os 252 apartamentos construídos na antiga favela Naval fazem parte do PAC.

No discurso, Lula disse que o prefeito de Diadema, Mário Reali (PT), deveria ter utilizado a tribuna do evento para criticar "a pessoa do Estado que tem que dar a licença ambiental para fazer as coisas aqui".

"Porque não é apenas em Diadema que as coisas não saem. É em vários lugares deste Estado. Me parece que tem uma pessoa, eu não sei quem é, que cria dificuldade para dar licença", disse o presidente, que defendeu a mobilização dos prefeitos para conseguirem autorização para as obras. Além disso, garantiu que o governo federal tem se esforçado para agilizar os processos. "Afinal de contas, a nossa passagem pela terra é curta e a gente não pode ficar a vida inteira esperando a vontade de um burocrata que está com a bunda numa cadeira, com ar-condicionado e sentado, sem se preocupar em como povo está vivendo", acrescentou. Lula não especificou o alvo, mas as licenças ambientais em São Paulo são responsabilidade da secretaria estadual de Meio Ambiente. A pasta foi ocupada até o pouco tempo pelo tucano Xico Graziano, que deixou o cargo para coordenar a campanha de Serra ao Palácio do Planalto.

"Eu sei que tem que ter diplomacia, um linguajar adequado, mas estou quase deixando de ser presidente e vou voltar a falar do jeito que eu sempre falei", argumentou Lula. Hoje, ele ainda participa de um comício ao lado da candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT). Preocupado em evitar acusações de campanha antecipada, o presidente não mencionou, em Diadema, o nome da ex-ministra da Casa Civil. No final do evento, ele ainda destacou a criação de 1,4 milhão postos de trabalho no primeiro semestre, conforme divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho, e observou que os países desenvolvidos perderam 16 milhões de vagas. "E, se Deus quiser, vamos criar mais um milhão até o final do ano", concluiu.

(Fernando Taquari | Valor)

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