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19/07/2010 - 08h08

Bovespa e Dow Jones caem na semana

SÃO PAULO - A semana terminou com cara feia para os mercados brasileiros e internacionais. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perdeu a linha dos 63 mil pontos e o dólar completou três dias seguidos de alta, se afastando de R$ 1,75. Já o mercado de juros futuros marcou mais um dia de forte ajuste de baixa, reforçando a percepção de que o ajuste na taxa básica Selic será menor do que o previamente estimado.

O mercado americano, que vinha de uma sequência invejável de valorização, puxou as perdas ao longo do dia. Dados econômicos ruins, como a queda na confiança do consumidor, e balanços corporativos pouco animadores trouxeram os vendedores de volta ao mercado.

Ao final do pregão, o Dow Jones apontava queda de 2,52%, para 10.097 pontos. O S & P 500 perdeu 2,88%, a 1.064 ponto. E o Nasdaq afundou 3,11%, para fechar aos 2.179 pontos. Com tamanha baixa na sexta-feira, a semana também terminou de forma negativa. O Dow Jones se desvalorizou 1%, o Nasdaq devolveu 0,8%, e o S & P cedeu 1,2%.

O mercado local seguiu a movimentação externa, mas as perdas foram um pouco menores. O Ibovespa fechou o pregão com baixa de 1,81%, aos 62.339 pontos. O giro ficou em R$ 4,24 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumulou queda de 1,79%, mas ainda sobe 2,30% no mês.

Na avaliação da equipe de análise da Alpes Corretora, o vencimento de opções na Bovespa, que acontece hoje, também influenciou em grande parte os papéis, embora o volume projetado seja baixo.

No caso das ações PNA da Vale, a instituição espera um giro total - de compra e venda - no valor aproximado de R$ 1 bilhão. Já o volume movimentado pelas ações PN da Petrobras não deverá chegar a R$ 450 milhões.

O mercado de câmbio também não escapou da piora de humor que pautou os negócios na sexta-feira. Com bolsas e commodities em queda, os compradores encontraram espaço para atuar, mas, ainda assim, parece existir um limite de alta para a cotação moeda.

O dólar comercial encerrou a jornada com valorização de 0,56%, para R$ 1,782 na venda, maior preço desde o dia 6 de julho. Na semana, a divisa ganhou 1,19%, mas ainda perde 1,22% no mês.

Depois do forte volume da quinta-feira, que rondou os US$ 5 bilhões, o pregão no interbancário foi pouco movimentado. O giro estimado foi de apenas US$ 1,2 bilhão.

Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar encerrou com alta de 0,59%, negociado a R$ 1,7825. O volume somou US$ 343 milhões, mais que o dobro do registrado no pregão anterior.

Avaliando o comportamento do câmbio ao longo da semana, o gestor da Vetorial Asset, Sérgio Machado, aponta que o mercado apresentou um movimento de cobertura de posições vendida, ou seja, os agentes realizaram lucro das apostas pró-real.

Isso fica mais evidente se lembrarmos que na terça-feira o dólar caiu a R$ 1,75, menor cotação em dois meses e antiga barreira técnica e psicológica. Segundo Machado, sabe-se que nessa linha de preço não é recomendado ampliar venda.

Acontece que alguns agentes insistiram nessa posição e acabaram perdendo dinheiro. Com ajuda na piora de humor externo criou-se o espaço para a compra, e foi exatamente isso que o mercado assistiu. Baste lembrar que no mercado futuro, o dólar beirou R$ 1,80.

O ponto destacado pelo especialista é que, da mesma forma que o R$ 1,75 é um bom ponto de compra, os arredores de R$ 1,80 se apresentam com uma boa oportunidade de venda.

Olhando agora para o câmbio externo, quem ganha com a derrocada dos indicadores americanos é o euro. A moeda fez máxima intradia de US$ 1,30, maior preço em dois meses.

Depois da queda acentuada da sexta-feira, o mercado de juros futuros sinaliza que existe uma probabilidade não desprezível de o Banco Central reduzir o ritmo de alta na taxa Selic já no encontro desta semana.

Mas uma coisa é o que a curva sugere, outra é o que os analistas esperam e uma terceira é o que passa na cabeça do colegiado do Banco Central.

Começando pela curva, o que o mercado observou na semana foi um grande banco fazendo vendas pesadas no mercado de juros, o que acabou estimulando a movimentação de outros agentes de grande porte.

Agora, o que os analistas esperam é que o Banco Central confirme mais uma alta de 0,75 ponto na quarta-feira. Feito isso, a autoridade monetária daria alguma sinalização de abrandamento na ata e reduziria o ritmo, de fato, no encontro de setembro.

O economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, compartilha dessa visão. Segundo o especialista, apesar dessa sinalização da curva, o BC não deve mudar o ritmo de alta de imediato, pois iria contra suas próprias indicações feitas na ata de junho e no relatório trimestral de inflação. "Seria uma grande surpresa se ele reduzisse." Ainda de acordo com Velho, tal movimento de baixa nos contratos futuros tem respaldo na inflação corrente, que segue rodando próxima de zero e nos indicadores de atividade local.

Outra grande influência para esse movimento vem do mercado externo. Mas agora não é a Europa, e sim os Estados Unidos que concentram as atenções.

Segundo Velho, a ata do Federal Reserve (Fed), banco central americano, aliado aos fracos indicadores econômicos, mostrou que existe o potencial para um período de deflação nos EUA. Com tal possibilidade, a chance de uma elevação na taxa básica de juros americana fica cada vez mais remota.

O impacto disso no mercado local é deflacionário, ou seja, o BC ganha um aliado externo na contenção dos preços.

No entanto, pondera Velho, como esse cenário externo não está completamente configurado, assim como a redução da inflação doméstica pode não ser duradoura, o BC deve optar pela postura mais cautelosa e subir a Selic em 0,75 ponto. Só depois de avaliar o cenário é que ele reduziria o ritmo de ajuste.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em agosto de 2010 registrava estabilidade, a 10,54%. Setembro de 2010 perdia 0,02 ponto, a 10,69%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, registrava queda de 0,10 ponto, a 11,06%, menor taxa em mais de um mês.

Entre os longos, o contrato para janeiro de 2012 caía 0,08 ponto, a 11,64%. Janeiro de 2013 devolvia 0,11 ponto, a 11,89%. E janeiro 2014 recuava 0,10 ponto, a 11,97%.

Até as 16 horas, foram negociados 1.596.305 contratos, equivalentes a R$ 148,5 bilhões (US$ 83,94 bilhões). O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 520.535 contratos, equivalentes a R$ 49,54 bilhões (US$ 28 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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