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19/07/2010 - 16h29

DIs longos sobem, mas curva mostra previsão de BC menos conservador

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros longos começam a semana ajustando para cima na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). No entanto, o resultado deve ser visto apenas como um movimento técnico depois das perdas acentuadas da semana passada. Já os curtos seguiram em baixa, mostrando que não há mudança de percepção com relação à condução da política monetária.

Está praticamente consolidada no mercado a ideia de que o Banco Central se aproxima do fim do ciclo de aperto monetário. Ao contrário do que sugere o Focus, a Selic deve fechar o ano a 11,50% e não a 12%, como mostra a sondagem do Banco Central.

Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em agosto de 2010 registrava alta de 0,01 ponto, a 10,57%. Mas setembro de 2010 recuava 0,02 ponto, a 10,69%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, registrava queda de 0,03 ponto, a 11,05%.

Já entre os longos, o contrato para janeiro de 2012 subia 0,06 ponto, a 11,71%. Janeiro de 2013 ganhava 0,09 ponto, a 11,99%. E janeiro 2014 acumulava 0,06 ponto, a 12,03%.

Até as 16 horas, foram negociados 1.737.060 contratos, equivalentes a R$ 163,71 bilhões (US$ 92,01 bilhões), alta de 9% sobre o registrado na sexta-feira. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 655.360 contratos, equivalentes a R$ 62,44 bilhões (US$ 35,10 bilhões).

O economista-chefe do Banco Safra de Investimento, Cristiano Oliveira, também trabalha com esse cenário de redução no ritmo de alta como sendo o de maior probabilidade.

Para o especialista, o Copom sobe a Selic em 0,75 ponto na quarta-feira e sinaliza no comunicado e na ata que sua análise do cenário prospectivo, de fato, está mais benigno com relação á inflação do que aquele delineado anteriormente.

"Com isso, o BC deixa a porta aberta para em setembro reduzir o ritmo de alta se as condições permanecerem iguais", explica o economista, completando que caso esse cenário se concretize é bastante provável que o BC encerre o ciclo com Selic a 11,50% ao ano.

Oliveira pondera, no entanto, que não dá para bater o martelo quanto essa possibilidade de redução no ritmo de alta. O economista lembra que alguns dos fatores que reduziram a inflação e o crescimento são transitórios.

"Aparente existe uma probabilidade maior que em setembro o BC suba a Selic em 0,50 ponto, mas essa não é uma aposta muito consolidada", diz, lembrando que o mercado sempre tende a extrapolar as variáveis de curto prazo.

Outra avaliação possível, segundo o especialista, é que como o Banco Central começou o ciclo de forma mais incisiva, com alta de 0,75 ponto, pode ser que ele termine o ajuste de forma mais branda.

Ainda de acordo com Oliveira, boa parte dessa revisão de cenários com relação à política monetária local tem relação com o quadro externo, que mostra, cada vez mais, uma redução no ritmo de crescimento da economia global.

Sinal disso é que as expectativas em torno de uma alta de juros nos Estados Unidos foram colocada para frente. As previsões que começam o ano apontando alta da taxa básica americana agora em 2010, passaram para o segundo semestre de 2011.

(Eduardo Campos | Valor)

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