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19/07/2010 - 11h59

DIs mais longos mostram aumento dos prêmios de risco na BM & F

SÃO PAULO - Às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que anuncia na quarta-feira o novo rumo para a taxa Selic, o mercado de juros futuros mostra um fechamento na ponta curta da curva e uma abertura na parte mais longa. O movimento sinaliza que, no curto prazo, o BC poderá adotar uma postura menos conservadora, elevando os juros básicos numa proporção menor do que se esperava anteriormente.

Há pouco, o Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012, o mais líquido do dia, subia 0,06 ponto percentual na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a 11,71%. Já os DIs dos primeiros meses de 2013 e de 2014 avançavam 0,08 ponto e 0,06 ponto, respectivamente a 11,98% e a 12,03%.

Na parte mais curta da curva de juros, o DI com vencimento em outubro de 2010 mantinha taxa de 10,86%, enquanto o vencimento em janeiro de 2011 cedia 0,02 ponto, a 11,06%.

Entre os poucos indicadores do dia, o Boletim Focus, do Banco Central, mostrou um novo aumento da previsão do mercado para a inflação medida pelo IPCA em 12 meses, que subiu para 4,96%, pela terceira semana seguida. Já a projeção para 2010 foi reduzida para 5,42%, enquanto a estimativa para 2011 foi mantida em 4,8%.

Além disso, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) acelerou para 0,12% na segunda quadrissemana de julho, ante a elevação de 0,10% no levantamento anterior. Na segunda quadrissemana de junho, a inflação na capital paulista havia sido de 0,03%.

"A curva de juros está muito focada na expectativa em relação à reunião do Copom deste mês e à sequência de encontros, com a possibilidade de um menor ajuste da Selic já em julho ou com uma sinalização de seu encerramento em breve", assinala o economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto.

Em sua avaliação, a alta de hoje dos DIs mais longos reflete apenas um ajuste técnico, visto que o ambiente no médio prazo segue incerto. Além disso, a nova elevação do mercado da previsão para o IPCA em 12 meses também reforça o aumento dos prêmios de risco nesta parte da curva de juros futuros.

O Banco Schahin aposta num aumento de 0,75 ponto percentual dos juros básicos em julho, para 11% ao ano. Os dados mais recentes da economia, entretanto, mostrando o desaquecimento da atividade industrial, das vendas varejistas e da própria inflação, levaram a instituição a revisar a perspectiva para o fim do ciclo.

"Antes, esperávamos um novo aumento da Selic de meio ponto em setembro e outro de 0,25 ponto, em outubro. Agora, acreditamos que o ciclo de ajuste se encerrará no próximo mês, levando a Selic para 11,50% ao ano", diz Campos Neto.

Segundo o Focus, o mercado também aposta num aumento dos juros básicos de 0,75 ponto na Selic nesta semana, porém acredita que os juros básicos estarão situados em 12% ao fim do ano.

(Beatriz Cutait | Valor)

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