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20/07/2010 - 08h09

Bovespa e dólar começaram a semana com alta

SÃO PAULO - A semana começou de forma positiva para as bolsas de valores locais e americanas, que recuperaram parte das perdas acentuadas da sexta-feira. Já o câmbio local escapou dessa melhora de percepção e o dólar marcou o quarto dia seguido de alta. E os contratos de juros futuros seguiram colocando no preço a possibilidade de um ciclo menor de alta de juros.

Na agenda do dia, a Irlanda teve sua nota de crédito rebaixada pela Moody ' s, mas isso não teve peso terminante na direção dos mercados. Os agentes também acompanharam os pedidos do presidente Barack Obama para que o congresso prorrogue o benefício do seguro-desemprego. A matéria pode ser votada hoje. Ainda nos EUA, um indicador de confiança do setor imobiliário caiu pelo segundo mês seguindo atingindo o nível mais baixo desde abril de 2009, agora em julho.

Tal indicador trouxe alguma instabilidade para o mercado americano, mas no final das contas os compradores prevaleceram. O Dow Jones encerrou com alta de 0,56%, a 10.154 pontos. O S & P 500 teve acréscimo de 0,60%, a 1.071 pontos e o Nasdaq teve acréscimo de 0,88%, para fechar a 2.198 pontos.

Por aqui, os compradores foram mais incisivos e o Ibovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou a jornada com valorização de 1,54%, aos 63.297 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 6,75 bilhões, dos quais R$ 2,42 bilhões partiram do vencimento de opções sobre ações.

O gerente de renda variável da Modal Asset Management, Eduardo Roche, assinalou que o mercado segue na expectativa de balanços corporativos positivos, em uma semana que terá seu destaque na sexta-feira, quando serão divulgados os resultados do teste de estresse dos bancos europeus. Passando para o mercado de câmbio, o dólar comercial completou o quarto pregão seguido de alta contra o real, acumulando valorização de 1,88% nesse período. A divisa americana recupera preço desde a terça-feira da semana passada, quando testou e respeitou a barreira técnica e psicológica de R$ 1,75.

Depois de fazer mínima a R$ 1,774, o dólar comercial encerrou a jornada com valorização de 0,22%, a R$ 1,786 na venda. O giro estimado para o interbancário somou apenas US$ 1,1 bilhão.

Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar encerrou com leve alta de 0,19%, negociado a R$ 1,7858. O volume somou US$ 343 milhões, 31% menor do que o registrado na sexta-feira.

Na avaliação do gerente da mesa de câmbio da BGC Liquidez, Francisco Carvalho, a formação de preço do dólar estaria mais relacionada aos índices americanos, que operaram sem rumo definido, do que ao comportamento de outras moedas como o euro.

Cabe lembrar que, no câmbio externo, o euro defendeu alta ante o dólar, na linha de US$ 1,29. E o barril de WTI teve leve alta, fechando ao redor dos US$ 76,50.

Na visão do especialista, falta incentivo para os agentes voltarem a vender moeda americana de forma consistente, ainda mais depois que o piso de R$ 1,75 foi novamente testado e respeitado.

"Temos que ter uma mudança de preços relativos para que a moeda mude sua banda de oscilação", disse Carvalho, que trabalha com R$ 1,75 como piso e R$ 1,80 como teto.

Já no mercado de juros futuros, os contratos de juros futuros longos começam a semana ajustando para cima. No entanto, tal movimento deve ser visto apenas como um ajuste técnico depois das perdas acentuadas da semana passada. Já os curtos seguiram em baixa, mostrando que não há mudança de percepção com relação à condução da política monetária.

Está praticamente consolidada no mercado a ideia de que o Banco Central se aproxima do fim do ciclo de aperto monetário. Ao contrário do que sugere o Focus, a Selic deve fechar o ano a 11,50% e não a 12%, como mostra a sondagem do Banco Central.

O economista-chefe do Banco Safra de Investimento, Cristiano Oliveira, também trabalha com esse cenário de redução no ritmo de alta como sendo o de maior probabilidade.

Para o especialista, o Copom sobe a Selic em 0,75 ponto na quarta-feira e sinaliza no comunicado e na ata que sua análise do cenário prospectivo, de fato, está mais benigno com relação à inflação do que aquele delineado anteriormente.

"Com isso, o BC deixa a porta aberta para em setembro reduzir o ritmo de alta se as condições permanecerem iguais" explicou o economista, completando que caso esse cenário se concretize é bastante provável que o BC encerre o ciclo com Selic a 11,50% ao ano.

Oliveira pondera, no entanto, que não dá para bater o martelo quanto essa possibilidade de redução no ritmo de alta. O economista lembra que alguns dos fatores que reduziram a inflação e o crescimento são transitórios.

"Aparente existe uma probabilidade maior que em setembro o BC suba a Selic em 0,50 ponto, mas essa não é uma aposta muito consolidada" disse, lembrando que o mercado sempre tende a extrapolar as variáveis de curto prazo.

Outra avaliação possível, segundo o especialista, é que como o Banco Central começou o ciclo de forma mais incisiva, com alta de 0,75 ponto, pode ser que ele termine o ajuste de forma mais branda.

Ainda de acordo com Oliveira, boa parte dessa revisão de cenários com relação à política monetária local tem relação com o quadro externo, que mostra, cada vez mais, uma redução no ritmo de crescimento da economia global.

Sinal disso é que as expectativas em torno de uma alta de juros nos Estados Unidos foram colocada para frente. As previsões que começam o ano apontando alta da taxa básica americana agora em 2010, passaram para o segundo semestre de 2011.

Antes do ajuste final de posições na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em agosto de 2010 registrava alta de 0,01 ponto, a 10,57%. Mas setembro de 2010 recuava 0,02 ponto, a 10,69%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, registrava queda de 0,03 ponto, a 11,05%.

Já entre os longos, o contrato para janeiro de 2012 subia 0,06 ponto, a 11,71%. Janeiro de 2013 ganhava 0,09 ponto, a 11,99%. E janeiro 2014 acumulava 0,06 ponto, a 12,03%.

Até as 16 horas, foram negociados 1.737.060 contratos, equivalentes a R$ 163,71 bilhões (US$ 92,01 bilhões), alta de 9% sobre o registrado na sexta-feira. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 655.360 contratos, equivalentes a R$ 62,44 bilhões (US$ 35,10 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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