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20/07/2010 - 16h27

DIs reforçam possibilidade de meio ponto de alta na Selic

SÃO PAULO - As medidas de inflação tanto no atacado quanto no varejo surpreenderam para baixo e estimularam a formação de mais apostas quanto a possibilidade de o Banco Central reduzir o ritmo de alta na Selic de 0,75 ponto para 0,5 ponto já na reunião desta quarta-feira. Foi esse o cenário desenhado pelo mercado de juros futuros nesta terça-feira.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em agosto de 2010 registrava alta de 0,04 ponto, a 10,59%. Setembro de 2010 recuava 0,01 ponto, a 10,67%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, registrava queda de 0,06 ponto, a 10,97%.

Já entre os longos, o ajuste foi mais acentuado, o contrato para janeiro de 2012 caía 0,06 ponto, a 11,61%. Janeiro de 2013 perdia 0,09 ponto, a 11,92%. E janeiro 2014 devolvia 0,05 ponto, a 12%.

Até as 16 horas, foram negociados 2.262.145 contratos, equivalentes a R$ 211,61 bilhões (US$ 118,52 bilhões), alta de 30% sobre o registrado ontem e maior giro desde a decisão do Copom de abril, quando mais de 4,6 milhões de contratos foram transacionados. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 981.725 contratos, equivalentes a R$ 93,61 bilhões (US$ 52,94 bilhões).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) mostrou deflação de 0,09%, recuando de alta de 0,19% em junho. Tal leitura para a prévia da inflação oficial foi a menor desde junho de 2006, quando a variação negativa fora de 0,15%.

Ainda na agenda do dia, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que a segunda-prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), leve alta de 0,03%, recuando de 1,06% em junho. Segundo o analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart, os números de inflação foram realmente positivos e não só por conta disso, mas também em função de outros dados, que se formou esse panorama mais favorável ao mercado de juros.

"O mercado acredita que a chance do meio ponto aumentou bastante, portanto faz sentido esse movimento do mercado", explica Goulart, apontando que o desenho atual já dá mais ênfase à possibilidade de alta de 0,5 ponto em detrimento ao ajuste de 0,75 ponto na Selic.

O analista explica, ainda, que além da parte racional, ou seja, aquela referendada pelos dados, há, também, um componente exclusivamente de mercado nesse movimento recente da curva. Os agentes enxergaram a possibilidade de ganhar muito se arriscando pouco ao fazer apostas em uma alta mais branda do juro básico.

No entanto, o analista mantém sua previsão de nova elevação de 0,75 ponto em função do comprometimento do Banco Central com seu próprio discurso e também devido à necessidade de o BC se mostrar mais austero em um momento em que esses choques de preços e crescimento podem se mostrar transitórios.

Goulart explica que os números de crescimento do primeiro e segundo trimestre são destorcidos. Houve uma transferência de crescimento do segundo para o primeiro trimestre do ano em função dos estímulos fiscais vigentes na época.

O mesmo tipo de avaliação também cabe para inflação, que foi pressionada pelos alimentos no começo do ano, mas perde força, agora, em função do recuo desse mesmo grupo. "Olhando isso, o BC pode não se mostrar tão propenso a reduzir o ritmo", diz o analista.

Ainda de acordo com Goulart, o que vai definir o rumo da reunião do Copom de amanhã é que grau de importância o BC vai dar para os dados mais fracos dos últimos meses.

(Eduardo Campos | Valor)

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