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20/07/2010 - 11h36

Resultado do IPCA-15 em julho leva à queda dos DIs na BM & F

SÃO PAULO - No primeiro dia de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), o mercado recebe novos dados de desaquecimento econômico, que contribuem para uma maior divisão das expectativas em relação a este e aos próximos encontros da instituição.

Embora a maior parte dos economistas aposte numa alta de 0,75 ponto percentual da Selic amanhã, elevando a taxa para 11% ao ano, o resultado abaixo do previsto reportado pelo IPCA-15 em julho adiciona incertezas para o cenário.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA-15 registrou deflação de 0,09% em julho, resultado mais fraco que o previsto. Em junho, o indicador havia apurado inflação de 0,19%. No acumulado dos 12 meses encerrados em julho, a inflação medida pelo índice atinge 4,74%.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), os contratos de juros futuros caem praticamente em bloco, reagindo ao indicador.

Há pouco, o Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012, o mais líquido do dia, cedia 0,08 ponto percentual, a 11,65%. Já os DIs dos primeiros meses de 2013 e de 2014 perdiam 0,04 ponto e 0,01 ponto, respectivamente a 11,97% e a 12,04%.

Na parte mais curta da curva de juros, o DI com vencimento em outubro de 2010 recuava 0,021 ponto, a 10,816%, enquanto o vencimento em janeiro de 2011 cedia 0,06 ponto, a 10,97%.

Apesar da deflação apurada pelo IPCA-15 em julho, o estrategista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno, mantém a previsão de alta de 0,75 ponto para a Selic neste mês.

"Ainda que dados recentes confirmem a desaceleração da economia no segundo trimestre e que a inflação tenha perdido um pouco de ímpeto, julgamos que a continuidade de alta das expectativas de inflação e as incertezas acerca do comportamento da economia brasileira no terceiro trimestre devem levar o Copom a adotar uma postura conservadora na reunião desta semana", comentou, em relatório enviado ao mercado.

Na avaliação da instituição, o BC deve "aproveitar o momento atual de queda da inflação para reforçar o compromisso em trazer a inflação de volta para o centro da meta, visando inverter a tendência de alta das expectativas vista desde o início do ano".

A equipe de análise do Banco Fator também não alterou sua estimativa para esta reunião do Copom, que deve levar, em sua opinião, a taxa Selic para o patamar de 11%.

"As variações menores do IPCA-15 de junho e julho podem ser vistas como uma compensação pelas altas excessivas dos outros meses do ano. Em 12 meses, o IPCA-15 volta a patamares confortáveis para a política monetária, porém os núcleos ainda permanecem em torno de 5%. Mas deve-se ressaltar que a inflação ainda não está reagindo aos efeitos dos aumentos da taxa de juros, mas, sim, à desaceleração natural que ocorreu no segundo trimestre, após o fim de diversos incentivos governamentais", comentou o banco, em relatório.

(Beatriz Cutait | Valor)

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