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26/07/2010 - 07h59

Bovespa teve melhor semana em 14 meses

SÃO PAULO - O esperado teste de estresse dos bancos europeus teve resultado positivo, pelo menos essa foi a sinalização dada pelos mercados na sexta-feira, quando a Comissão de Supervisão de Bancos da Europa (CEBS, na sigla em inglês), mostrou que apenas 7 das 91 instituições testadas foram reprovadas no teste. Isso indica que no caso de materialização do pior cenário essas instituições precisariam de aportes para continuar funcionando.

Vale lembrar que o mercado não soube como reagir prontamente ao resultado dos testes e os índices acionários ficaram sem direção durante mais de uma, mas, no final da contas, o dia terminou com ganhos tanto em Wall Street quanto na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Por aqui, o Ibovespa retomou a linha dos 66 mil pontos, algo que não acontecia desde o começo de maio. O índice encerrou o pregão com alta de 0,87%, aos 66.322 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 4,68 bilhões.

Na semana, o índice subiu 6,39%, o que representa a maior alta para o período desde a primeira semana de maio de 2009, quando avançou 8,68%. Em julho, o Ibovespa já ganhou 8,84%. No ano, o índice ainda deve 3,30%.

O maior otimismo dos investidores com a China e o aumento dos preços do minério de ferro no mercado spot chinês impulsionou a valorização dos papéis da Vale e das siderúrgicas. Além disso, balanços corporativos americanos mais fortes que o esperado e a volta da atuação do investidor estrangeiro na bolsa brasileira também contribuíram para a alta do Ibovespa na semana. "Não dá para se fazer uma análise ainda dos resultados. O processo é muito complexo, mas a reação dos mercados foi boa, ressaltou o diretor da Ágora Corretora, Álvaro Bandeira, ao comentar os testes dos bancos europeus.

Ao comentar a forte valorização do Ibovespa na semana, Bandeira assinalou que a trajetória do índice é sustentável, ainda que ele possa sofrer realizações no curto prazo.

"O mercado destravou na última semana, passou uma zona de resistência importante. O Ibovespa tem espaço para subir mais e buscar as máximas do ano, desde que os testes de estresse tenham sido positivos e que os balanços corporativos continuem a ser fortes", apontou.

Segundo a Ágora, de 110 balanços trimestrais divulgados nos Estados Unidos, cerca de 90 vieram em linha ou melhor que o esperado pelo mercado.

O analista técnico da Icap Brasil, Raphael Figueredo, avalia que, mesmo com uma realização dos ganhos no caminho, o Ibovespa dá o primeiro sinal de consistência de recuperação, desde o início da crise da zona do Euro.

"[o índice] Tem espaço para seguir pedalando, rumando para os 68.000 pontos, podendo ou não enroscar pelos 66.500 pontos. No campo negativo, poderá iniciar uma realização a partir da perda dos 65.430 pontos, mas nada que possa comprometer o belo quadro de alta configurado, enquanto permanecer acima dos 64.000 pontos", observou Figueredo.

Em Wall Street, o bom desempenho da semana levou os índices a praticamente zerar as perdas do ano. O Dow Jones se valorizou 0,99%, para 10.424 pontos. Já o S & P 500 ganhou 0,82%, encerrando aos 1.102 pontos, maior pontuação desde 18 de junho e importante barreira técnica. E o Nasdaq teve acréscimo de 1,05%, para 2.269 pontos. Na semana, o Dow Jones subiu 3,2%, o S & P avançou 3,6% e a bolsa eletrônica teve acréscimo de 4,2%. De volta ao mercado local, mas dando atenção ao câmbio, depois do pregão bastante movimentado de quinta, a sexta-feira foi morna. Apesar do incentivo externo às vendas, já que as bolsas e o euro subiram em função do resultado positivo para o teste de estresse dos bancos europeus, a movimentação foi tímida por aqui.

Depois de fazer mínima a R$ 1,754 e máxima a R$ 1,769, o dólar comercial encerrou a jornada com leve baixa de 0,05%, a R$ 1,760 na venda.

Na semana, no entanto, a moeda acumulou baixa de 1,23%, e já está 2,44% mais barata agora em julho. O giro estimado para o interbancário permaneceu acima dos US$ 3 bilhões.

Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar encerrou com baixa 0,22%, valendo a R$ 1,7571. O volume subiu 10%, para US$ 455,25 milhões.

Segundo o trader de renda fixa e câmbio do Banco Modal, Luiz Eduardo Portella, além da já bem conhecida resistência que existe na linha de R$ 1,75, o lado do técnico do mercado não deixa os investidores confortáveis em ampliar vendas.

Na visão do especialista, os agentes estão reticentes em vender ainda mais moeda sabendo do tamanho excepcional da posição vendida que bancos e estrangeiros carregam atualmente.

A percepção é de que caso surja algum motivo para reversão, faltarão dólares para a cobertura dessas posições, que já ultrapassam os US$ 21 bilhões.

Vale lembrar que os bancos têm posição vendida estimada em US$ 13 bilhões no mercado à vista. Enquanto os estrangeiros, considerando dólar futuro e cupom cambial (DDI), têm outros US$ 8,47 bilhões, maior posição desde 29 de julho de 2008.

Ainda no mercado futuro, os bancos estão comprados em US$ 3,72 bilhões, montante que não cobre a exposição à vista. Outro comprador relevante de dólar futuro é o grupo "outras pessoas jurídicas financeiras", que engloba bancos de empresas, com US$ 3,37 bilhões. Ainda assim, a conta total não fecha.

Ainda de acordo Portella, há um fator psicológico que impede o aumento das vendas. Os agentes temem maior intervenção do governo caso o dólar vá abaixo de R$ 1,75. Essa atuação poderia se dar no mercado à vista ou no mercado futuro via swap cambial reverso, que, na prática, significa compra de dólar futuro pelo Banco Central.

Tal fator psicológico pode se confirmar nesta segunda-feira. No final da tarde de sexta-feira, corria pelas mesas que o Banco Central sondava agentes quanto à existência de demanda para a realização de um leilão de swap cambial reverso. O reflexo disso foi uma disparada no final dos negócios com o dólar futuro que sai da linha de R$ 1,756 para R$ 1,77.

Já no mercado de juros futuros, os contratos longos marcam o segundo pregão consecutivo de acentuado movimento de alta. Segundo o economista da Platina Investimentos, Eduardo Baczynski, essa abertura de taxa longa é reflexo da melhora na percepção dos agentes com relação ao crescimento da economia global, não agora, mas em prazo mais dilatado.

Entre os fatores que levaram a essa reavaliação de cenário global estão dados recentes sobre a economia da Europa e o resultado dos testes de estresse dos bancos europeus.

No curto prazo, diz o economista, não parece que terá uma mudança na condução da política monetária. Dada a redução no ritmo de ajuste na Selic, a expectativa, agora, é de mais uma alta de 0,5 ponto ou parada do processo em setembro, até por conta do período eleitoral.

A questão, segundo Baczynski, é que dentro desse novo quadro para a economia global, o Banco Central, provavelmente, teria de voltar a aumentar a taxa de juros depois do período eleitoral.

Antes do ajuste final de posições na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 subia 0,16 ponto, a 11,69%. Janeiro de 2013 ganhava 0,12 ponto, a 12%. E janeiro 2014 acumulava 0,09 ponto, a 12,01%.

Entre os curtos, o ajuste foi menos acentuado, agosto de 2010 registrava queda de 0,01 ponto, a 10,63%. Setembro de 2010 subia 0,01 ponto, a 10,64%. Outubro de 2010 aumentava 0,02 ponto, projetando 10,77%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava alta 0,05 ponto, a 10,94%.

Até as 16 horas, foram negociados 1.383.330 contratos, equivalentes a R$ 125,96 bilhões (US$ 71,45 bilhões), queda de 32% sobre o registrado ontem. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 495.275 contratos, equivalentes a R$ 47,29 bilhões (US$ 26,83 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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