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26/07/2010 - 12h49

Contas externas em junho registram pior resultado desde 1947

BRASÍLIA - Remessas de lucros e dividendos recordes, aliadas a gastos de brasileiros com viagens ao exterior em volumes também nunca vistos, aceleraram a deterioração das contas externas em junho e no primeiro semestre do ano, que registraram os piores resultados desde 1947.

O Banco Central (BC) prevê ligeira melhora da conta corrente externa em julho, que deve fechar deficitária em US$ 3,7 bilhões. Ante US$ 5,18 bilhões negativos no mês passado, o pior resultado das transações correntes para meses de junho na série histórica.

Também foi recorde o acumulado de janeiro a junho, quando a conta corrente ficou em menos US$ 23,762 bilhões. Assim como o déficit de US$ 40,887 bilhões acumulado em 12 meses é o maior da série para o período.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, atribuiu a deterioração das contas externas às remessas de lucros e dividendos das multinacionais, na esteira da forte recuperação da economia brasileira interna, além de retornos ainda para cobertura de estragos da crise mundial em alguns setores, como o automotivo.

De forma que a saída de lucros e dividendos foi recorde para meses de junho, com US$ 4,156 bilhões. Também foi o maior valor registrado para o primeiro semestre, acumulando remessas de US$ 14,967 bilhões. E em julho, até hoje, a remessa foi de US$ 1,672 bilhão nessa conta.

A nova "mania cultural" do brasileiro de viajar ao exterior, segundo Lopes, deixou em junho a maior despesa para o mês, de US$ 1,325 bilhão, com resultado líquido deficitário em US$ 909 milhões, outro recorde. Para o primeiro semestre, os gastos brutos também foram recordes em US$ 7,050 bilhões, assim como o saldo líquido deficitário em US$ 4,1 bilhões foi o maior.

Outro gasto que voltou a subir com a retomada da atividade econômica é o aluguel de equipamentos no exterior, que acumulou remessas de US$ 6,174 bilhões no primeiro semestre, ante US$ 4,37 bilhões em período igual de 2009.

Já do lado do financiamento dos compromissos do país no exterior, os investimentos externos diretos minguaram em junho (US$ 708 milhões) e somaram US$ 12 bilhões no semestre, abaixo dos US$ 12,66 bilhões do ano passado.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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