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26/07/2010 - 16h30

DIs recuam após Focus mostrar melhora nas projeções de inflação

SÃO PAULO - Depois de uma forte puxada de alta na sexta-feira, os contratos de juros futuros longos ajustaram para baixo na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F).

Parte da alta da sexta-feira foi atribuída a uma melhora na percepção com relação à economia mundial e à expectativa de que o Boletim Focus, do Banco Central (BC), poderia mostrar piora nas expectativas de inflação, algo que não aconteceu.

A pesquisa apresentada hoje mostrou exatamente o contrário. A mediana do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 5,42% para 5,35%, considerando o encerramento de 2010. Para 2011, a projeção segue ancorada em 4,80%.

Olhando agora apenas a mediana curto prazo do Top Five, grupo composto pelas instituições que mais acertam, o quadro é diferente. O IPCA para o fim do ano teve leve alta de 0,01 ponto, de 5,48% para 5,49%. Mas o que chama atenção é o prognóstico para 2011. A inflação esperada saiu de 4,80% para 4,98%.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 caía 0,09 ponto, a 11,61%. Janeiro de 2013 também recuava 0,09 ponto, a 11,92%. E janeiro 2014 devolvia 0,06 ponto, a 11,94%.

Entre os curtos, o ajuste foi menos acentuado, agosto de 2010 registrava estabilidade a 10,64%. Setembro de 2010 subia 0,01 ponto, a 10,64%. Outubro de 2010 perdia 0,03 ponto, projetando 10,75%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava baixa 0,05 ponto, a 10,89%.

Até as 16 horas, foram negociados 722.610 contratos, equivalentes a R$ 66,44 bilhões (US$ 37,71 bilhões), cerca de metade do registrado na sexta-feira. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 237.310 contratos, equivalentes a R$ 22,67 bilhões (US$ 12,86 bilhões).

Saindo do intradia, o sócio da Oren Investimentos, Jacob Weintraub, atribui essa volatilidade dos contratos longos à surpresa com que parte do mercado recebeu a decisão do Banco Central de reduzir o ritmo de alta da Selic de 0,75 ponto para 0,5 ponto na semana passada.

Na visão de Weintraub, o mercado ficou sem parâmetro, pois apesar de existir a discussão entre meio ponto ou 0,75 ponto, não se discutia que o ciclo seria mais curto, como indicado agora pelos juros de curto prazo. Os contratos curtos mal embutem uma alta de 0,5 ponto em setembro.

A questão, segundo o especialista, é que ainda falta embasamento para que o BC pense em encerrar já, ou mesmo na próxima reunião, o ciclo de aperto monetário. Os dados de inflação e atividade que levaram o mercado e o próprio colegiado do BC a mudar de ideia não configuram tendência.

"Da mesma forma que esses números surpreenderam para baixo no segundo trimestre, podem voltar a surpreender para cima no terceiro trimestre", diz Weintraub, lembrando que os números do primeiro trimestre e do segundo trimestre são de difícil comparação em função da existência e posterior retirada de estímulos fiscais.

Para o especialista, se o BC parar mesmo o processo de alta, a curva longa pode subir bem, com o mercado passando a colocar no preço um novo ciclo de alta em breve, pois não está claro que há uma mudança de rumo para a inflação e para o crescimento.

Para Weintraub, essa mudança de atuação do BC também levou o mercado a questionar se a autoridade monetária estaria dando mais peso aos indicadores de curto prazo do que a sinalizações de longo prazo. A ata da reunião, que sai na quinta-feira, deve ajudar a esclarecer melhor essa questão.

O economista da Oren, Gustavo Mendonça, aponta que caso o BC pare de subir a Selic, deixando a taxa nos atuais 10,25% ao ano, - tudo mais constante - o crescimento de 2011 passaria de 5%, e o IPCA rondaria 6%, contra os 4,5% que representam o centro da meta.

Pelo modelo de Mendonça, o BC teria que subir a taxa básica até 12,5%, para trazer a inflação para o centro da meta. Ainda de acordo com o economista, o cenário interno não teve tamanha alteração para justificar uma mudança na condução da política monetária.

(Eduardo Campos | Valor)

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