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04/08/2010 - 14h41

Educação financeira começa a ser ensinada a alunos das redes estaduais

RIO - Quatrocentas e cinquenta escolas do ensino médio de seis Estados começam na semana que vem a ministrar o conteúdo de educação financeira durante disciplinas como matemática, português e história.

A iniciativa representa o primeiro passo do projeto piloto do Programa Educação Financeira nas Escolas, iniciativa conjunta de órgãos reguladores como Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Superintendência de Seguros Privados (Susep) e Superintendência Nacional de Previdência Complementar, em parceria com o Ministério da Educação, o Instituto Unibanco e o Banco Mundial.

A educação financeira não será apresentada aos alunos como uma disciplina separada, condição estipulada pelo ministério para apoiar a iniciativa, que já é utilizada em diversos países.

No caso brasileiro serão beneficiados alunos do segundo ano do ensino médio das redes estaduais, que participarão de um processo de 18 meses dividido em três módulos semestrais, com avaliações comparadas ao desempenho de estudantes de outras 450 instituições de ensino estaduais que não vão ter a matéria abordada nas aulas.

O superintendente de proteção e orientação a investidores da CVM, José Alexandre Vasco, afirmou que o objetivo não é promover produtos do mercado financeiro, mas garantir condições para que os alunos e suas famílias - haverá workshops com pais de estudantes - apresentem melhoras na gestão de recursos, proporcionando mais poupança e planejamento de longo prazo.
Vasco disse que uma das ambições é fazer um cadastro para acompanhar o desempenho dos alunos cinco anos depois, mesmo depois da saída das escolas.

Para Vasco, é importante mostrar que a educação financeira não é apenas uma questão ligada à matemática, mas a diversas matérias e situações cotidianas das famílias.

"Na capacitação dos professores, muitas escolas mandaram, a princípio, professores de matemática. E aos poucos mudamos esse determinismo", explicou Vanderson Berbat, representante do Instituto Unibanco, que já apoia escolas públicas que participarão do projeto.

Outra patrocinadora da iniciativa, a BM & F Bovespa acredita que a avaliação dos primeiros dois módulos - que durarão de agosto deste ano a julho do ano que vem - terão um custo de cerca de R$ 1 milhão, parte bancado pela própria BM & FBovespa, parte pelo Banco Mundial.

A gerente dos programas de popularização da BM & FBovespa, Patrícia Quadros, ressaltou que ainda não há estimativa de quanto será aportado pelo Banco Mundial nos projetos de avaliação do curso, mas garantiu que a BM & FBovespa arcará com os custos até que a contrapartida da instituição multilaterial seja desembolsada.

"A Bolsa vai bancar o começo do processo, mas ele é contínuo", afirmou Patrícia, confirmando que os custos da avaliação dos dois primeiros módulos será em torno de R$ 1 milhão.
"Para a frente será mais coisa, mas para começar, para a avaliação do primeiro ano, sim", acrescentou, lembrando que as avaliações serão conduzidas pelo Banco Mundial e pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (Caed), da Universidade Federal de Juiz de Fora.

A diretora da BM & FBovespa confirmou ainda que a expectativa é desenvolver, para aplicação a partir do segundo semestre do ano que vem, a estrutura de ensino da educação financeira para crianças do ensino fundamental. "Neste mês de agosto já devemos ter a diretriz do material para o ensino fundamental", frisou.

(Rafael Rosas | Valor)

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