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04/08/2010 - 08h39

Ibovespa acabou sequência de alta ontem, após dados negativos nos EUA

SÃO PAULO - Dados econômicos negativos nos EUA serviram de gatilho ontem para um movimento de correção na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) que vinha de uma sequência de alta não observada desde agosto de 2003. O câmbio também passou por ajuste, só que de alta. E os contratos futuros também fecharam o dia apontando para cima.

No mercado externo, o ímpeto comprador que pautou a segunda-feira esbarrou em dados de estabilidade na renda e do gasto do americano e na menor encomenda por bens duráveis. Com isso, depois de um salto de 2%, o Dow Jones fechou com baixa de 0,36%, a 10.636 pontos. O S & P 500 perdeu 0,48%, a 1.120 pontos, e o Nasdaq se desvalorizou 0,52%, apontando 2.283 pontos.

Demanda firme, apenas, pelo euro, que seguiu ganhando do dólar e foi acima de US$ 1,32. Outras moedas, como a libra, também ganharam da divisa americana.

De volta ao mercado local, depois de acumular valorização de 9,91% em 11 pregões, a Bovespa passou um breve movimento de realização de lucros, ou seja, os agentes resolveram colocar dinheiro no bolso. O Ibovespa encerrou os negócios com baixa de 0,76%, aos 67.997 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 5,79 bilhões.

"Os números de fora não vieram bons e o mercado precisava de uma desculpa para continuar a subir. A situação econômica internacional ainda está frágil", ressaltou o sócio-gestor da Humaitá Investimentos, Frederico Mesnik.

No front doméstico, as perdas do Ibovespa só não foram mais expressivas, porque papéis de peso, como os da Petrobras, tiveram valorização expressiva. As ações PN da estatal subiram 2,25%, para R$ 29,08, e giraram R$ 699,1 milhões. O sócio-gestor da Humaitá assinalou que o mercado está atento ao processo de capitalização da empresa e já pode estar se antecipando à definição do preço dos barris na cessão onerosa. Além disso, as ações da Petrobras seguem muito defasadas no ano, com uma queda acumulada de 20,7%, contra perda de apenas 0,86% do Ibovespa no período.

Passando para o câmbio, o dólar subiu ante o real, apesar de continuar perdendo valor para o euro e outras moedas. Na visão do analista de câmbio da BGC Liquidez, Mário Paiva, o que aconteceu não só no câmbio local, mas também em outros mercados, como bolsas e commodities, é uma correção do otimismo recente.

Destacando o câmbio local, Paiva ressalta que esse é um mercado bastante técnico, e que depois da queda da segunda-feira, que chegou a levar a cotação da moeda para baixo da linha de R$ 1,75, o preço tinha se afasto das médias móveis de três, cinco e oito dias, por exemplo, o que abre espaço para um ajuste de alta.

Ao final do pregão de terça-feira, o dólar comercial mostrava alta de 0,51%, a R$ 1,760 na venda. O giro estimado para o interbancário somou R$ 1,5 bilhão, contra US$ 2,4 bilhões da segunda-feira.

Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar encerrou com alta de 0,50%, a R$ 1,7587. O volume subiu de US$ 58,75 milhões para US$ 109,5 milhões.

Ainda de acordo com Paiva, um mercado otimista demais ou pessimista demais é algo insustentável. "Então é natural que aconteça uma acomodação." Para o analista, o dólar segue respeitando a banda de oscilação de R$ 1,75 a R$ 1,85. Com uma margem de alta até R$ 1,90 no caso de uma piora externa muito acentuada.

Olhando além do dia a dia, o especialista acredita que a tendência global para o dólar é mesmo de queda, afinal, o mercado continua inundado de moeda americana emitida para tirar os EUA da recessão. Acontece que essa montanha de dólares não parece ter sido suficiente para engrenar a economia de volta ao crescimento e o Federal Reserve (Fed), banco central americano, já estaria pensando em novas medidas de estímulo, ou seja, mais emissão de dólares.

Encerrando com os juros futuros, os contratos tiveram um pregão instável. Depois de uma tentativa de baixa, seguindo a divulgação dos dados de produção industrial, os vencimentos encerraram o pregão apontando para cima, especialmente os de prazo mais dilatado.

Segundo o gestor da Global Equity, Octávio Vaz, tal comportamento da curva pode ser visto como um movimento de ajuste técnico, ou seja, os vencimentos tinham atingido um preço que não era mais atrativo a novas aplicações. Caso do janeiro de 2011, por exemplo.

Ampliando a avaliação, Vaz aponta que o Banco Central deu a entender na ata de sua reunião de julho que gostaria de encerrar o ciclo de aperto monetário já em setembro.

No entanto, ponderou o especialista, ainda é muito cedo para cravar uma aposta sobre qual será a atuação do BC, por isso mesmo, o mercado está bem divido entre a estabilidade da taxa em 10,75%, alta de 0,25 ponto e novo aperto de meio ponto.

Um dos pontos a ser observado é o mercado externo, que ganhou mais peso no balanço de risco da autoridade monetária. Segundo Vaz, se o quadro internacional for muito diferente do que o BC imagina, o colegiado pode ser obrigado a rever sua inclinação à manutenção.

Agora, se a cena continuar a mostrar influência negativa via crescimento e positiva pelo lado da inflação, a ideia original do BC ganha respaldo.

No agenda do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a produção industrial marcou o terceiro mês seguido de queda em junho ao recuar 1%. Em maio a retração fora de 0,2% (dado revisado). Boa parte da queda foi atribuída ao fator Copa do Mundo, que tirou dias úteis do mês.

"O resultado sinaliza que ocorreu uma acomodação no segundo trimestre, como já esperado, após um primeiro trimestre de resultados extremamente fortes, que constituíram, em parte, um adiantamento de consumo", notou a Rosenberg & Associados.

Apesar dessa acomodação no segundo trimestre, notou a consultoria, vale ressaltar que permanecem bastante positivas as perspectivas para o ano, dada a forte demanda interna. "Na margem, devemos ter uma retomada das taxas positivas, embora modestas, no segundo semestre." De volta à BM & F, antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 subia 0,07 ponto, a 11,58%. Janeiro de 2013 apontava alta de 0,06 ponto, a 11,89%. E janeiro 2014 ganhava 0,04 ponto, a 11,87%.

Entre os curtos, setembro de 2010 registrava estabilidade a 10,64%. Outubro de 2010 subia 0,01 ponto, a 10,72%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, também apontava alta de 0,01 ponto, a 10,81%.

Até as 16h10 foram negociados 829.675 contratos, equivalentes a R$ 73,90 bilhões (US$ 42,26 bilhões), montante 62% maior do que o registrado na segunda-feira. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 286.750 contratos, equivalentes a R$ 27,47 bilhões (US$ 15,71 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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