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05/08/2010 - 13h23

Bovespa mira os 71 mil pontos e dólar pode cair a R$ 1,70

SÃO PAULO - O bom resultado dos testes de estresse dos bancos europeus, a queda na aversão ao risco, e a recuperação nos preços das commodities traçam um panorama positivo para os ativos brasileiros.

Segundo o sócio da consultoria Wagner Investimentos, Milton Wagner, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ganhou tendência de alta depois que retomou os 65 mil pontos e, agora, mira os 71 mil pontos.

A observação do especialista tem base em um modelo quantitativo que consegue captar o posicionamento dos grandes investidores em mais de 50 ativos ao redor do mundo. "Os bons resultados de empresas e o menor aperto de juros no Brasil dão força a essa percepção", ressalta o especialista.

O que esse modelo sugere, segundo Wagner, é que Ibovespa ao redor dos 66 mil pontos é um bom ponto de compra e quando o índice passar os 70 mil pontos é o momento de o investidor pensar em uma realização de lucros. Já se o indicador ficar ao redor ou abaixo dos 65 mil pontos, o investidor deve ficar atento, pois uma reversão de tendência pode acontecer.

Mudando o foco para o câmbio, o modelo mostra uma grande correlação do dólar no mercado local com o índice VIX, que mede a volatilidade as opções americanas e é visto como um termômetro de aversão ao risco. Em função disso, Wagner acredita que a formação da taxa está mais relacionada aos eventos externos.

O que o modelo sugere é que dólar abaixo de R$ 1,79, garante a tendência de baixa que tem como objetivo a linha de R$ 1,70 a R$ 1,72. Já acima de R$ 1,80, a moeda passa a ganhar viés de alta.

Um fator que pode contribuir para a queda de preço da moeda, segundo Wagner, é que a linha de preço de R$ 1,745 concentra uma série de gatilhos de operações pré-programadas pelos agentes. Se essa linha for perdida, pode acelerar o movimento de baixa no preço da moeda.

Dando atenção agora às matérias-primas, o modelo operado por Wagner mostra que os preços estão no estiramento, ou seja, romperam rapidamente toda e qualquer resistência à alta.

Tal comportamento no preço das commodities tem relação com a disparada de preço de produtos agrícolas, como trigo, e metais, entre eles o cobre. Tamanha variação de preço, diz o especialista, já traz algum tipo de preocupação com inflação em âmbito global.

Wagner também insere esse aumento na demanda por matérias-primas dentro do contexto de desvalorização do dólar. Como a economia americana ainda dá sinais de fraca retomada de atividade e o Federal Reserve (Fed), banco central americano, acena com mais emissão de dólares para estimular a economia, os investidores vendem dólares e buscam proteção em ativos reais.

(Eduardo Campos | Valor)

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