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05/08/2010 - 17h24

Emprego nas montadoras tem maior nível em 19 anos

SÃO PAULO - A ocupação na indústria automobilística alcançou seu maior patamar em mais de 19 anos, após registrar a marca de 132,16 mil pessoas empregadas no mês passado.

De acordo com os números divulgados hoje pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), tal nível é o maior desde fevereiro de 1991, quando as montadoras tinham 133,18 mil funcionários.

O desempenho reflete as perspectivas positivas ao mercado brasileiro de veículos, que, segundo as projeções da própria entidade, deverá alcançar neste ano o volume recorde de 3,4 milhões de unidades em vendas.

Até julho, a comercialização de carros de passeio, utilitários, caminhões e ônibus somou 1,882 milhão de unidades, recolocando o Brasil na quarta posição entre os maiores mercados do mundo, já que as vendas na Alemanha - que disputa o posto - ficaram 23,237 mil unidades abaixo desse volume.

Ao apresentar os números de julho à imprensa, o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, disse que a tendência a partir de agora é de manutenção do nível de emprego, após a ocupação do setor acumular 13 meses seguidos de alta e superar, inclusive, patamares observados antes do impacto da crise financeira.
"O mercado é que faz o aumento do emprego", assinalou o executivo durante entrevista coletiva a jornalistas. Segundo Belini, as vendas das montadoras estão ganhando força diante de um ambiente de maior oferta de crédito, combinada com uma queda da inadimplência, o que tem permitido às financeiras reduzir o custo dos financiamentos.

Só no mês passado, as concessionárias voltaram a comercializar mais de 300 mil veículos, mesmo com o término dos estímulos fiscais do governo nas vendas de carros de passeio. As 302,33 mil unidades comercializadas em julho corresponderam ao melhor volume para o mês na história, deixando para trás os 288,1 mil veículos de julho de 2008.

O problema para os fabricantes locais é que as montadoras estrangeiras também estão sabendo aproveitar o bom momento e, com isso, os importados já respondem por 17,9% das vendas neste ano, bem acima dos 13,3% de 2008.

Belini voltou a dizer hoje que, para enfrentar a concorrência externa, o setor precisará de um "choque de competitividade", o que envolve diversas iniciativas dos setores privado e público.

Entre os desafios a serem enfrentados, o executivo citou gargalos em logística e a capacitação da mão de obra. Ele também criticou o alto custo de produtos siderúrgicos entre os fatores de perda de competitividade.

As montadoras vivem um momento de recuperação nas exportações, mas as vendas externas ainda não voltaram aos patamares pré-crise. De acordo com Belini, os fabricantes - que já chegaram a dedicar 35% da produção ao mercado externo - estão separando hoje aproximadamente 20% do que é produzido para essa finalidade. "O problema é que o Brasil está perdendo competitividade em manufaturados", afirmou.

De janeiro a julho, as montadoras brasileiras exportaram 422,2 mil veículos. O número supera em 78,4% o total de igual período do ano passado, mas ainda está abaixo das 444,6 mil unidades vendidas ao exterior nos sete primeiros meses de 2008.

(Eduardo Laguna | Valor)

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