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06/08/2010 - 07h45

Bovespa defende alta e dólar cai a R$ 1,754

SÃO PAULO - A quinta-feira foi mais um dia morno nos mercados globais, indicando que falta incentivo para o investidor dar continuidade ao forte movimento de retomada observado em julho ou saía para uma realização de lucros de maior intensidade.

Por aqui, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) escapou da instabilidade externa e garantiu novo dia de alta. Já o dólar, voltou a perder valor, mas ainda respeita a linha de R$ 1,75. Movimento mais definido apenas no mercado de juros futuros, onde os contratos fecharam com forte baixa.

No mercado externo, a economia americana seguiu dando sinais conflitantes. Na quarta-feira, a ADP, empresa que processa folhas de pagamento, mostrou a criação de 42 mil vagas no mês julho. Já ontem, o Departamento de Trabalho mostrou que os pedidos por seguro-desemprego somaram 479 mil na semana fechada no dia 31 de julho, alta de 19 mil sobre a semana anterior.

Em Wall Street, o Dow Jones teve uma retomada no final do dia, mas ainda encerrou com leve baixa de 0,05%, aos 10.647 pontos. O S & P 500 perdeu 0,13%, a 1.125 pontos. Já o Nasdaq cedeu 0,46%, a 2.293 pontos.

Parte da instabilidade do dia foi atribuída à expectativa quanto aos dados oficiais sobre o comportamento do mercado de trabalho americano no mês de julho. Os números saem agora pela manhã.

Por aqui, com ajuda das ações da Petrobras, Vale e Net, o Ibovespa encerrou a jornada com valorização de 0,20%, aos 68.411 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 5,12 bilhões.

"Com os pedidos por segundo desemprego nos EUA piores que o esperado, o mercado externo aproveitou para realizar um pouco dos lucros. Aqui, tivemos uma reação mais tarde, mas as atenções estão direcionadas para o ' payroll ' . Se os números vierem piores, poderemos ter uma realização de curto prazo. O grande dia da semana será amanhã [hoje], com indicadores de peso", comentou o gestor de renda variável da Máxima Asset, Felipe Casotti.

No ambiente corporativo, o foco do mercado esteve voltado ao setor de telecomunicações. A Embratel anunciou que lançará uma oferta pública voluntária (OPA) para comprar até 100% das ações preferenciais da operadora de telecomunicações Net. Se todos os acionistas preferenciais aceitarem a proposta, o valor desembolsado pela empresa será de cerca de R$ 4,57 bilhões.

A proposta da Embratel é pagar R$ 23 por ação preferencial à vista, o que corresponde a um prêmio de 23,1% sobre a média de fechamento dos pregões dos últimos 30 dias.

Embora a operação tenha sido avaliada como positiva por analistas, algumas instituições chamaram atenção para o preço proposto. A Ativa Corretora, por exemplo, considerou o valor baixo, já que estima que o preço justo do papel Net PN seja de R$ 28,00 por ação.

Além disso, matéria publicada pelo jornal "O Globo" revelou que a companhia inglesa Vodafone pretende entrar no Brasil por meio do grupo Telecom Italia, dona da TIM Brasil.

Os papéis PN da Net dispararam 13,2%, para R$ 22,63 e tiveram o terceiro maior volume do dia, com R$ 309,6 milhões negociados. Já os papéis ON e PN da TIM tiveram apreciação de 11,88% e 5,16%, cotados a R$ 8,0 e a R$ 5,5, respectivamente.

No mercado de câmbio, a quinta-feira foi mais um dia de pouca emoção. A moeda oscilou apenas R$ 0,007 entre máxima e mínima, sempre respeitando as linhas de R$ 1,75 e R$ 1,76.

Ao final da jornada, o dólar comercial valia R$ 1,754 na venda, o que representa queda de 0,22% sobre o fechamento de quarta-feira. Na semana, a divisa tem leve baixa de 0,11%. O giro estimado para o interbancário passou dos US$ 2 bilhões.

Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar encerrou com baixa de 0,24%, a R$ 1,7538. O volume caiu de US$ 58,75 milhões para US$ 52,25 milhões.

Segundo o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, o mercado não deixa o dólar ir abaixo de R$ 1,75, pois segue preocupado com alguma investida mais firme do Banco Central, como mais de uma compra por dia no pronto ou leilão de swap cambial reverso.

No entanto, esses mesmos agentes não têm interesse em um preço elevado. Então, eles aproveitam a taxa entre R$ 1,75 e R$ 1,77 para zerar suas posições vendidas.

Dando força a essa percepção estão os números do próprio BC, que mostraram que os bancos reduziram sua posição vendida em mais de US$ 2 bilhões em cerca de uma semana. No entanto, o montante ainda somava US$ 10 bilhões no final de julho.

Na avaliação de Galhardo, a formação de posições vendidas se justificava pela expectativa de ingressos pela capitalização da Petrobras, mas, como o processo foi atrasado, de julho para setembro, a postura mais prudente é reduzir o tamanho dessa posição.

Já no mercado de juros futuros, tudo o que os contratos ajustaram para cima nos últimos pregões, devolveram na jornada da quinta-feira. Na visão do vice-presidente de tesouraria do Banco West LB, Ures Folchini, foram desmontados os argumentos que vinham justificando a adoção de uma postura compradora ou mesmo uma realização de lucros.

Segundo Folchini, o mercado trabalha com três assuntos principais. O primeiro deles são as commodities. Havia uma preocupação com uma subida generalizada de preços em função da disparada de alguns produtos, como o trigo. No entanto, agora, parece que o entendimento é que não faz sentido esperar um aumento generalizado em função de choque de preço de um produto.

O segundo ponto são os dados da Anfavea. A interpretação é que o crescimento de vendas em julho seria mais uma recuperação depois de um mês de junho ruim, que foi prejudicado pela ocorrência da Copa do Mundo. O terceiro ponto é a própria realização de lucros, que teria se encerrado.

Fora isso, lembra o especialista, os agentes operam no aguardo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, que deve voltar a mostrar inflação próxima de zero. O dado será apresentado agora pela manhã, e a expectativa é de inflação próxima de zero.

Na agenda do dia, a Anfavea mostrou que a produção de veículos atingiu 315,9 mil unidades em julho, alta de 12% sobre igual período de 2009 (281,9 mil unidades) e leve alta de 3,2% sobre junho.
Já a venda de veículos somou 302,2 mil unidades no mês passado, alta de 5,9% no comparativo anual, e um salto de 15,1% sobre o mês de junho.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), que avançou 0,22% em julho, recuando de 0,34% em maio.

Na BM & F, antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012, o mais líquido do dia, caía 0,10 ponto, a 11,56%. Janeiro de 2013 apontava baixa de 0,09 ponto, a 11,89%. E janeiro 2014 perdia 0,06 ponto, a 11,90%.

Entre os curtos, setembro de 2010 registrava estabilidade a 10,64%. Outubro de 2010 recuava 0,01 ponto, a 10,71%. E janeiro de 2011 apontava baixa de 0,03 ponto, a 10,80%.

Até as 16h10, foram negociados 934.555 contratos, equivalentes a R$ 81,56 bilhões (US$ 46,43 bilhões), montante 30% maior do que o registrado na quarta-feira. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 284.125 contratos, equivalentes a R$ 24,34 bilhões (US$ 13,86 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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