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06/08/2010 - 16h20

DIs longos revertem e fecham com alta

Compras no final do pregão fizeram com que os contratos de juros futuros longos encerrassem o dia com leve alta. Tal repique tem ares de movimento técnico, pois os vencimentos operaram em baixa durante boa parte do pregão testando as mesmas mínimas observadas na segunda-feira e que serviram de gatilho para uma realização de lucros.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012, o mais líquido do dia, subia 0,02 ponto, a 11,59%, depois de cair 11,52%. Janeiro de 2013 apontava alta de 0,02 ponto, a 11,91%, mas na mínima foi a 11,81% E janeiro 2014 ganhava 0,01 ponto, a 11,91%.

Entre os curtos, no entanto, as vendas ainda prevaleceram. Setembro de 2010 registrava baixa de 0,01 ponto, a 10,63%. Outubro de 2010 recuava 0,02 ponto, a 10,71%. E janeiro de 2011 também apontava baixa de 0,02 ponto, a 10,78%.

Até as 16h10, foram negociados 632.380 contratos, equivalentes a R$ 56,37 bilhões (US$ 32,14 bilhões), montante 48% menor do que o registrado ontem. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 158.425 contratos, equivalentes a R$ 17,02 bilhões (US$ 9,70 bilhões).

O que estimulou as vendas ao longo do pregão foi o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mostrou inflação de 0,01% para julho, em linha com as expectativas.

Tal comportamento da inflação reforçou as análises que sugerem que o BC pode encerrar o ciclo de aperto monetário no encontro de setembro. Mas os analistas divergem sobre a estabilidade da taxa em 10,75% ou um aperto final de 0,25%.

Segundo o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otavio de Souza Leal, o momento atual mostra um vale na inflação. E da mesma forma que no começo do ano fatores excepcionais resultaram em forte puxada nos preços, um combinação de eventos positivos contribuiu para essa queda agora em junho e julho.

Avaliando o impacto dessa melhora da inflação na condução da política monetária, Leal acredita que o Banco Central pode até ter razão em pensar em uma convergência natural dos preços, mas a questão é que ainda é arriscado se fiar nisso, sabendo que o momento atual é melhor do que a média para a inflação.

Na visão do especialista, a tendência ao longo do semestre é o IPCA voltar a rodar entre 0,30% a 0,40%. Leal reconhece que os a inflação zero nos últimos dois meses mudou, de fato, cara da inflação do ano, que estaria mais próxima de 5% do que dos 6%. "Mas essa mudança não é suficiente a ponto de dar margem a uma parada no processo de alta de juros."
Pelo lado da atividade, o momento também guarda incertezas. As quedas na produção industrial, por exemplo, tanto em maio quanto em junho tiveram fatores particulares estimulando a retração, como a manutenção em refinarias e a Copa do Mundo. Para julho, diz o economista, já se trabalha com alta de 0,5% a 1% na produção industrial.

Olhando agora para fatores menos influenciados por fatores sazonais, Leal chama atenção para o mercado de trabalho aquecido e para o aumento da massa salarial. Então, com esse crescimento de renda, que deve ser turbinado por dissídios de classes relevantes no segundo trimestre, fica difícil se espera uma queda muito forte na demanda por crédito.

"Ainda faltam justificativas para uma parada na alta de juros em setembro", conclui o especialista.

(Eduardo Campos | Valor)

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