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06/08/2010 - 14h00

Votorantim critica preços da energia no país

RIO - O diretor do Grupo Votorantim Raul Calfat fez duras críticas hoje ao custo da energia para clientes industriais no Brasil. O executivo ressaltou que os preços do insumo no país superam o que é cobrado na Europa e na China, o que tem dificultado expansões em setores intensivos em energia.

"Na parte de alumínio privado, o aumento da energia reduz a competitividade", frisou Calfat, lembrando que o grupo não desistiu de expansões no país, mas direciona novos investimentos para outros setores, como o de cimento, que depende menos de energia.

Segundo o executivo, que participou de seminário promovido pela Standard & Poor ' s no Rio de Janeiro, o preço da energia industrial no Brasil é de US$ 87 por megawatt-hora sem impostos e encargos, valor que passa para US$ 155 por MW/h com os acréscimos.

Na Europa, esse valor é de US$ 90 por MW/h para os custos apenas com geração, distribuição e transmissão e pula para US$ 106 por MW/h com impostos. Na China, os patamares são de US$ 86 o MW/h antes de impostos e US$ 101 por MW/h com a tarifação.

"O Brasil conseguiu transformar uma vantagem em desvantagem. É um dos países produtores de energia mais cara do mundo e consegue ultrapassar a Europa, que tem uma matriz fundamentalmente baseada em térmica a carvão e nuclear", disse Calfat, lembrando que impostos e encargos representam 44% do custo da energia.

Questionado sobre o preço da energia no país, o presidente da Neoenergia, Maurício Corrêa, lembrou que os impostos cobrados é que encarecem o insumo. Além disso, citou a demora na concessão de licenciamento ambiental e decisões judiciais que confrontam o marco regulatório como fontes de aumento de custos.

"É preciso ter uma defesa maior do marco regulatório. É preciso organizar, ter um guarda de trânsito", brincou Corrêa.

(Rafael Rosas | Valor)

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