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10/08/2010 - 07h59

Bovespa fechou abaixo dos 68 mil pontos e dólar valeu R$ 1,752 ontem

SÃO PAULO - A semana começou com baixa na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), queda no preço do dólar e recuo nos contratos de juros futuros. Sem grandes indicadores na agenda do dia, o mercado operou na expectativa quanto ao encontro de hoje do Federal Reserve (Fed), banco Central americano, que discute se é apropriado ou não tomar novas medidas de estímulo à economia americana.

Em Wall Street, a perspectiva de que o Fed pode dar mais um impulso da atividade conseguiu segurar os índices em alta. O Dow Jones teve acréscimo de 0,42%, para 10.698 pontos. O S & P 500 subiu 0,55%, a 1.127 pontos. E o Nasdaq ganhou 0,75%, a 2.305 pontos.

Por aqui, o Ibovespa caiu 0,34%, encerrando aos 67.862 pontos. O giro ficou em R$ 4,07 bilhões. As perdas foram lideradas pelas ações da Petrobras.

O gerente de renda variável da Mapfre Investimentos, Carlos Eduardo Eichhorn, lembra que o Ibovespa acumulou ganho de 9,91% entre os dias 19 de julho e 2 de agosto.

Desde então, o índice recuou apenas nos dias 3 e 6 deste mês e, diante da ausência de notícias de peso no mercado, o investidor aproveitou para embolsar lucros.

Para o operador da Um Investimentos, Eduardo Oliveira, esta semana será um "divisor de águas para o mercado", diante dos dados de julho da economia chinesa, que saem hoje à noite, e dos números do PIB europeu, na sexta-feira.

"O risco de uma nova recessão pode ficar cada vez mais distante. Se um cenário positivo se confirmar, os investidores deverão voltar para as commodities e o Ibovespa não terá motivos para voltar ao patamar dos 63 mil pontos", comentou.

No mercado de câmbio, a banda de oscilação continuou restrita entre R$ 1,750 a R$ 1,760. Ontem, a moeda americana perdeu valor, e terminou a R$ 1,752 na venda, queda de 0,39% sobre o fechamento de sexta-feira. A segunda-feira também foi de poucos negócios, o giro estimado para o interbancário não passou de US$ 1 bilhão. Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar encerrou com baixa de 0,33%, a R$ 1,7532. O volume caiu de US$ 110,25 milhões para US$ 58,75 milhões.

Segunda a diretora da AGK Corretora, Miram Tavares, segue o mesmo panorama de aumento expressivo de compras com dólar na linha de R$ 1,75. Entre os fatores que limitam uma queda mais acentuada, a especialista aponta o medo de atuações mais agressivas do Banco Central, e a falta de estímulo da cena externa.

A especialista lembra que o quadro externo não mostra viés nem positivo nem negativo. As coisas melhoraram na Europa, mas pioraram um pouco nos Estados Unidos, sem efeito líquido relevante.

E, pelo lado doméstico, apesar da melhora recente no fluxo de recursos, pioraram os prognósticos para as contas externas.

Na visão de Miriam, o mercado aguarda, agora, os comentários do Fed e os dados sobre a economia chinesa.

Para a diretora, o Fed deve indicar que tudo segue como está, ou seja, juro baixo por longo período de tempo. Já a China não deve mostrar nenhum grande sinal de desaceleração.

Se essas suas expectativas se confirmarem, Miriam acredita que o mercado de câmbio não deve mostrar grande alteração.

Depois de um repique de alta ao final do pregão de sexta-feira, os contratos de juros futuros longos encerraram a segunda-feira apontando para baixo.

Segundo o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, a instabilidade deve continuar pautando os negócios na ponta longa da curva, conforme parte do mercado acredita que o viés da taxa de juros no ano que vem está entre a estabilidade e a queda, enquanto outra corrente acha um pouco arriscado assumir tal postura.

Na avaliação do economista, olhando os vértices janeiro de 2013 em diante, o cenário carrega um risco grande, em função das incertezas quanto ao comportamento dos indicadores de crescimento tanto no mercado local quanto externo.

Ainda de acordo com o Neto, parte dessa queda nos vencimentos longos pode ser vista como aporte de recursos externos. Segundo o especialista, as apostas estão se voltando ao mercado doméstico em função da queda na aversão ao risco, mas é sempre bom lembrar que existem riscos de sobressaltos, principalmente no cenário externo. "O humor melhorou, mas os números não dão sustentação a essa melhora toda nos mercados", ponderou o especialista.

No curto prazo, diz Neto, faz sentido apostar em taxas menores, já que é a crescente a percepção de que o Banco Central já encerrou o ciclo de aperto com Selic a 10,75% ao ano.

O economista acredita que seria mais prudente se o BC fizesse um novo aperto de juros no encontro de setembro, mas considerando a linguagem da ata e os indicadores que serão apresentados até o encontro, o mais provável, mesmo, é a manutenção da taxa básica.

O boletim Focus, do Banco Central, mostrou nova redução na expectativa de inflação para 2010. A mediana para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 5,27% para 5,19%. Já para 2011, a previsão segue ancorada em 4,80%.

Segundo Neto, o que chama atenção e causa algum desconforto é que a inflação projetada em 12 meses voltou a subir, de 4,97% para 5%. Isso mostra que parte do mercado não está tão convencido com essa expectativa de convergência natural da inflação à meta.

Os agentes também reavaliaram o prognóstico para a taxa Selic. O juro previsto para o encerramento do ano caiu de 11,50% para 11%, ou seja, o mercado trabalha com apenas mais um ajuste de 0,25 ponto percentual na Selic, que vale 10,75% ao ano. A taxa para 2011 cedeu de 11,75% para 11,63%.

O boletim também mostrou alteração na previsão de crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB) estimado para 2010 recuou de 7,20% para 7,12%.

O dia também contou com a primeira prévia para o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que avançou 0,42% em agosto. O resultado ficou dentro do previsto.

Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 caía 0,05 ponto, a 11,54%. Janeiro de 2013 apontava baixa de 0,07 ponto, a 11,83%. E janeiro 2014 devolvia 0,09 ponto, a 11,83%.

Entre os curtos, no entanto, as vendas ainda prevaleceram. Setembro de 2010 registrava estabilidade a 10,63%. Outubro de 2010 recuava 0,01 ponto, a 10,70%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, também apontava baixa de 0,01 ponto, a 10,77%.

Até as 16h10, foram negociados 435.705 contratos, equivalentes a R$ 38,74 bilhões (US$ 22,05 bilhões), montante 30% menor do que o registrado na sexta-feira. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 195.270 contratos, equivalentes a R$ 18,74 bilhões (US$ 10,66 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)

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