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10/08/2010 - 17h40

Fed vai buscar manter carteira de títulos em US$ 2 trilhões

SÃO PAULO - O volume de títulos domésticos que estão na carteira do Federal Reserve é de US$ 2,054 trilhões, em valor de face, pelos dados mais recentes (relativos ao dia 4 de agosto). É esse nível de títulos que o Fed vai procurar manter estável a partir de agora, na tentativa de colaborar para reaquecer a recuperação econômica dos Estados Unidos.

Na reunião de hoje de seu Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), o Fed fez uma avaliação mais pessimista da economia, reconhecendo que o ritmo da produção e do emprego se desacelerou e admitindo que, no curto prazo, o passo da recuperação deve ser mais modesto do que o projetado anteriormente.

Como ação de política monetária para fazer frente a esse cenário - uma vez que os juros básicos do país já estão perto de zero - o Fed determinou que os pagamentos recebidos pelos títulos lastreados em hipotecas que estão em sua carteira sejam reaplicados na compra de bônus do Tesouro americano de longo prazo. A ideia é manter estável nos níveis atuais a quantidade de papéis da carteira.

A ação do Fed tende a manter liquidez no mercado financeiro e a garantir demanda para os títulos públicos - o que contribui para conservar em baixa os demais juros da economia, como os de financiamento imobiliário.

O impacto da iniciativa sobre a atividade econômica real, porém, ainda é incerto. Muitos analistas consideraram que o mais importante da decisão de hoje foi sinalizar ao mercado que o Fed está de prontidão para agir quando necessário a fim de assegurar a recuperação da economia.

A posição do Fed agora também contrasta com a do começo do ano, quando a autoridade monetária, mais confiante no ritmo da atividade, planejava uma estratégia para desmontar diversos mecanismos adotados para fazer frente à crise financeira de 2008. Entre esses incentivos estava a compra, por parte do Fed, de pouco mais de US$ 1,75 trilhão em ativos lastreados em hipotecas.

Em um comunicado, a unidade do Fed de Nova York - responsável pelas ações de mercado aberto - explica que deve haver oscilações no nível almejado da carteira, pois há descompasso de datas para o pagamento dos papéis e a compra de novos títulos.
Em meados de cada mês, a mesa de operações do Fed NY vai divulgar uma estimativa de agenda para as aquisições a serem realizadas no mês seguinte. A primeira agenda, para as transações de setembro, será publicada amanhã. Segundo a nota, as ações vão se concentrar na compra de títulos do Tesouro de dois a dez anos.

(Paula Cleto | Valor)

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