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10/08/2010 - 14h24

Gol não teme perda de mercado com atrasos em voos

SÃO PAULO - A companhia aérea Gol acredita que os atrasos verificados em grande parte de seus voos no início do mês não reduzirão sua participação no mercado. "Foram problemas pontuais que já estão sob controle. Cometemos um erro, mas concentramos nossos esforços para solucionar os problemas mantendo a qualidade dos serviços e os preços baixos", disse o presidente da empresa, Constantino de Oliveira Júnior, em teleconferência nesta manhã.

A empresa atribuiu os problemas à uma falha no software de gestão de carga horária de seus tripulantes. O programa não teria respeitado a carga máxima de trabalho prevista na regulação do setor aéreo brasileiro para pilotos de avião.

Os atrasos e cancelamentos, que provocaram caos nos aeroportos do país, levaram a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a aplicar uma multa de R$ 2 milhões à companhia aérea. A Gol, entretanto, não comenta o assunto alegando ainda não ter sido notificada pela Anac.
Nesta terça-feira, a companhia anunciou prejuízo de R$ 51,9 milhões, mas atribuiu o resultado negativo à variação cambial e à readequação de sua frota. "Operacionalmente, nossos resultados ficaram muito próximos aos de anos anteriores", disse Leonardo Pereira, diretor financeiro e de Relações com Investidores.
No segundo trimestre, a companhia devolveu cinco aeronaves Boeing 737-300 e reativou os quatro Boeing 767 para a realização de fretamentos de longa distância e subarrendamentos. "Tivemos R$ 40 milhões em despesas não recorrentes com a devolução dos Boeing 737-300 e a colocação dos Boeing 767 no ar. Quando devolvemos um avião, precisamos fazer uma revisão para entregar a aeronave nas condições em que a pegamos", explica Pereira.

Apesar dos gastos, a Gol avalia a operação como vantajosa. Neste ano, foram devolvidas 15 aeronaves, o que segundo a companhia proporcionará uma economia de R$ 4,5 milhões por trimestre. "Custava caro manter esses aviões parados", ressalta o diretor financeiro e de Relações com Investidores.
A expectativa da Gol é baixar para quatro o número de aeronaves fora de operação. Hoje, da frota de 122 aviões, sete estão sem operar. Feitos os ajustes, a Gol deverá manter 119 aeronaves em sua frota. "Até 2012 não vamos precisar aumentar nosso número de aviões", diz Pereira, destacando que a frota será suficiente para atender a crescente quantidade de passageiros.

O aumento na demanda de abril a junho foi de 17% na comparação com o mesmo período de 2009. A Gol elevou sua previsão de expansão para o mercado brasileiro em 2010 de 12,5% a 18%, para a faixa de 14% a 21%. A taxa de ocupação da empresa no segundo trimestre ficou em 61%, mas a companhia acredita que conseguirá elevar essa marca a 70% até o final do ano.
Para tanto, a Gol aposta no aumento das vendas no varejo, seja por meio de pontos próprios ou por parcerias junto a lojas e supermercados. "Até o final do ano, vamos abrir mais quatro lojas em São Paulo. A partir daí, definiremos um modelo de franquias", diz Pereira.

A Gol tem se posicionado de forma a reduzir seu endividamento e aumentar os recursos em caixa, o que na avaliação do diretor financeiro da empresa, garante maior conforto nos negócios. "Isso nos dá melhores condições de crescer e resolver problemas que eventualmente apareçam", afirma.
A estratégia rendeu à companhia uma melhora em sua nota de crédito pela agência de classificação de risco Moody´s. No mês passado, a agência elevou o rating da Gol de "B1" para "Ba3". A promoção se deu após a emissão de US$ 300 milhões em títulos de 10 anos, que permitiu à empresa alongar o perfil de sua dívida.

"Ficaremos praticamente sem compromissos a vencer nos próximos três anos", afirma Pereira. O objetivo da Gol é reduzir a relação entre sua dívida bruta e o lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização e arrendamento (Ebitdar) de 5,5 vezes para 4,5 vezes até o final de 2011.

(Francine De Lorenzo | Valor)

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