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10/08/2010 - 18h00

Ibovespa recua pelo terceiro pregão, mas defende os 67 mil pontos

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou os negócios desta terça-feira em baixa pelo terceiro pregão consecutivo, mas seu principal índice conseguiu defender os 67 mil pontos.

Depois de marcar mínima de 66.946 pontos, o Ibovespa encerrou a jornada com desvalorização de 0,94%, aos 67.223 pontos. O giro financeiro permaneceu fraco, ao atingir R$ 5,159 bilhões.

Em Wall Street, enquanto o índice Dow Jones teve queda de 0,51%, o Nasdaq registrou desvalorização de 1,24% e o S & P 500 recuou 0,60%.

A tônica do dia para a queda das bolsas mundiais partiu dos números da economia chinesa, que mostraram um desaquecimento em julho.

O país registrou saldo comercial de US$ 28,7 bilhões no mês passado, o maior superávit desde janeiro de 2009. De julho de 2009 para igual período de 2010, as exportações subiram 38,1%, para US$ 145,5 bilhões. A alta anual foi inferior ao aumento de 43,9% contabilizado em junho.

Já as importações chinesas cresceram 22,7% em julho, somando US$ 116,8 bilhões. A taxa de crescimento das compras no mês anterior havia sido de 34,1%.

Nesta noite, a China ainda apresenta dados sobre indústria, varejo, inflação e investimento, também referentes a julho.

Diante da desaceleração da China, os investidores buscaram refúgio em ativos de menor risco, como dólar e títulos do Tesouro americano, e fugiram dos mercados acionários e das commodities.

Na parte da tarde, as bolsas americanas e brasileira chegaram a reduzir uma parte das perdas, depois da decisão e do comunicado divulgado pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano).

Conforme o esperado, a instituição manteve os juros básicos da economia americana no patamar entre zero e 0,25% ao ano.

O destaque do comunicado ficou com o anúncio de que, como contribuição para sustentar o ritmo de atividade, o Fed vai reinvestir o pagamento do principal de títulos de hipotecas feito por agências de financiamento imobiliário em títulos do Tesouro de longo prazo.

"Para ajudar a recuperação econômica em um contexto de estabilidade de preços, o Comitê vai manter constante a carteira de títulos do Federal Reserve no nível atual", afirmou o Fed.

Na avaliação do assessor de investimentos da corretora Souza Barros, Luiz Roberto Monteiro, ainda que as bolsas tenham reduzido as perdas depois do anúncio do Fed, a decisão só expôs o grau de fragilidade dos Estados Unidos.

Segundo ele, a principal pressão para as bolsas hoje veio da China, com um desaquecimento maior que o previsto.

"O mercado brasileiro é muito dependente dos números da China, principalmente o setor de siderurgia e mineração. E todo mundo já sabe que a economia americana vai demorar um tempo para andar", assinalou Monteiro.

No ambiente corporativo doméstico, entre as ações de maior peso sobre o Ibovespa, os papéis PNA da Vale recuaram 1,24%, a R$ 43,60, com giro de R$ 730,8 milhões, e as ações PN da Petrobras cederam 1,45%, para R$ 28,41, com total negociado de R$ 467,2 milhões.

Com o terceiro maior volume do dia, os papéis ON da OGX Petróleo caíram 0,10%, a R$ 18,30, e giraram R$ 193,4 milhões.

Entre as principais altas do Ibovespa figuraram os papéis Light ON (3,25%, a R$ 22,19), Duratex ON (2,41%, a R$ 17,41) e Gol PN (2,23%, a R$ 24,29).

A Light revelou hoje que pretende vender para o mercado livre a energia que será produzida pelas hidrelétricas de Paracambi e Itaocara. As duas unidades serão construídas em parceria com a Cemig, para geração a partir de 2011 em Paracambi e 2014 em Itaocara.

O diretor de energia da Light, Evandro Vasconcelos, explicou que o investimento para construção da usina de Paracambi será de R$ 180 milhões para geração de até 25 megawatts (MW), enquanto Itaocara, que terá potência de 195 MW, custará R$ 1,1 bilhão.

No setor aéreo, a Gol encerrou o intervalo abril-junho com prejuízo de R$ 51,9 milhões, comparável a um lucro de R$ 353,7 milhões no mesmo período de 2009. A receita líquida da companhia somou R$ 1,59 bilhão no segundo trimestre, com alta de 14,1% ante igual intervalo do ano passado.

As principais quedas do Ibovespa neste pregão partiram dos papéis ON da mineradora MMX (-4,66%, a R$ 12,68), Natura ON (-3,72%, a R$ 42,6) e Tim Participações PN (-3,01%, a R$ 5,14).

Além disso, as ações ON da MRV caíram 2,9%, para R$ 14,71. A construtora reportou lucro recorde de R$ 150,5 milhões no segundo trimestre, mais que o dobro do ganho de R$ 73,9 milhões apurado em igual período de 2009. A receita líquida da empresa subiu 81%, para R$ 705,1 milhões.

Fora do índice, destaque para os papéis PN da Marcopolo, que fecharam os negócios com um aumento de 3,12%, cotados a R$ 9,9.

A empresa apurou lucro líquido consolidado de R$ 79,1 milhões entre abril e junho, com alta de 134,7% sobre o mesmo período de 2009. Já receita consolidada líquida avançou 53%, para R$ 727,7 milhões.

A fabricante ainda elevou as projeções de desempenho para 2010. A previsão de receita líquida consolidada subiu de R$ 2,55 bilhões para R$ 2,8 bilhões, e a estimativa de produção física foi revista de 24,7 mil para 26,5 mil unidades.

(Beatriz Cutait | Valor)

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