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10/08/2010 - 14h49

Sinais de desaceleração da China afetam bolsas europeias

SÃO PAULO - As bolsas europeias recuaram nesta terça-feira por conta de indicadores que apontaram desaceleração da economia chinesa. Também prevaleceu a cautela dos investidores, à espera da decisão do Fed, o banco central americano, que será divulgada no meio da tarde.

Em Londres, o FTSE 100 fechou aos 5.376 pontos, com queda de 0,63%; em Paris, o CAC 40 perdeu 1,24%, para 3.731 pontos; e em Frankfurt, o DAX terminou aos 6.286 pontos, em baixa de 1,03%.

O mercado não gostou do resultado da balança comercial da China, que mostrou desaceleração no ritmo de crescimento das exportações e importações. As exportações subiram 38,1% em relação a julho do ano passado, para US$ 145,5 bilhões. A alta anual, contudo, é inferior ao aumento de 43,9% contabilizado em junho. Já as importações cresceram 22,7% em relação ao mesmo mês de 2009, somando US$ 116,8 bilhões. A taxa de junho havia sido de 34,1%. Mesmo assim, o país registrou saldo de US$ 28,7 bilhões em sua balança comercial, o maior superávit desde janeiro de 2009.

A alta de preços dos imóveis residenciais nas principais cidades da China também desacelerou em julho. Os preços das moradias subiram 10,3% em relação ao mesmo mês de 2009, percentual inferior aos 11,4% registrados em junho e aos 12,4% de maio.
Foi o terceiro mês consecutivo de desaceleração nos valores dos imóveis residenciais e a menor taxa de crescimento nos preços dos últimos seis meses.

O resultado indica que as ações do governo para abrandar o mercado imobiliário surtiram efeito. As medidas foram adotadas em abril, quando a alta dos preços dos imóveis chegou a 12,8%, o maior nível desde julho de 2005, quando a medição começou a ser feita.

Na Europa, os indicadores também não foram animadores. A produção industrial francesa apresentou retração de 1,7% em junho, invertendo a direção observada em maio, de expansão de 1,9%. A produção manufatureira também recuou, com queda de 1,3% em junho, seguindo retração de 0,6% de um mês antes.

Por outro lado, no Reino Unido, o déficit na balança comercial somou 7,4 bilhões de libras (US$ 11,7 bilhões) em junho, apresentando queda de 7,5% sobre o saldo negativo de 8 bilhões de libras registrado em maio. Os dados divulgados hoje ficaram acima das expectativas de analistas financeiros, que esperavam um saldo negativo de 7,8 bilhões de libras.
As exportações cresceram 4,3% em junho, somando 22,4 bilhões de libras, o que configura o maior volume de exportação registrada pelo país desde junho de 2008. As importações cresceram 1% no período, somando 29,8 bilhões de libras em junho.

Na Alemanha, o índice de preços ao consumidor na Alemanha avançou 1,2% em julho em relação ao mesmo período do ano passado. No comparativo com o mês anterior, o indicador mostrou alta de 0,3%.

O destaque corporativo do dia foi a compra, pela GDF Suez, estatal francesa do setor de gás e energia, do controle da britânica International Power, criando o maior produtor mundial independente de energia. A empresa também se torna a segunda empresa de serviços básicos da França a comandar um concorrente do Reino Unido. A nova empresa terá 84 bilhões de euros em receita anual e capacidade de geração total de 66 gigawatts. As ações da GDF recuaram 1,6% e as da International Power caíram 2%.

As ações de empresas ligadas commodities ficaram entre as principais baixas do dia, em linha com a queda nos preços dos metais, que refletiram os dados de desaceleração da economia chinesa. Rio Tinto caiu 2%, BHP Billiton perdeu 2,3% e Kazakhmys recuou 2,5%.

(Téo Takar | Valor, com agências internacionais)

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