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11/08/2010 - 08h49

China e Fed puxaram Bovespa para baixo ontem

SÃO PAULO - A economia da China e a reunião do Federal Reserve (Fed), banco central americano, foram os assuntos que movimentaram o pregão de terça-feira, que terminou com viés negativo para as bolsas de valores e alta no preço do dólar.
Os mercados já começaram o dia com tom pessimista, conforme os agentes passaram a questionar o ritmo de crescimento da economia chinesa após um fraco crescimento das importações durante o mês de julho.

Contribuindo para o sentimento negativo, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos mostrou que a produtividade do trabalhador caiu 0,9% no segundo trimestre, primeira contração desde o quarto trimestre de 2008.

À tarde, os agentes receberam a decisão do Fed. Conforme o esperado a taxa básica foi mantida entre zero e 0,25% ao ano e o BC americano acenou com medidas para ajudar na retomada da atividade.

Segundo o colegiado do Fed, a recuperação se dará em um ritmo mais lento do que o previamente antecipado. O que representa uma mudança de avaliação com relação à reunião anterior quando a expectativa era de "recuperação moderada".

Sobre a inflação, a avaliação é de que os preços seguirão controlados por algum tempo, reflexo da baixa utilização de recursos e das expectativas estáveis. O Fed também falou que as medidas de inflação apontaram para baixo nos últimos trimestres.

A novidade veio no quarto parágrafo do comunicado oficial. Como uma forma de suporte à recuperação da economia, o Fed manterá constante sua reserva de ativos, reinvestindo os pagamentos que receber das aplicações em títulos de agências e papéis atrelados a ativos na compra de títulos de longo prazo do Tesouro. O Fed também continua rolando suas posições em títulos da dívida conforme os vencimentos.

Logo após a decisão, os ativos ensaiaram uma recuperação, mas parece que o mercado queria mais que o simples reinvestimento. As expectativas eram de aumento real nas compras de ativos.

Em Wall Street, o Dow Jones encerrou a jornada com baixa de 0,51%, aos 10.644 pontos. Antes do anúncio do Fed o índice perdia 1,09%. O S & P 500 devolveu 0,60%, a 1.121 pontos, e o Nasdaq perdeu 1,24%, para 2.277 pontos.

Por aqui, o Ibovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também fechou acima das mínimas, mas ainda apontou desvalorização de 0,94%, aos 67.223 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,15 bilhões.

Na avaliação do assessor de investimentos da corretora Souza Barros, Luiz Roberto Monteiro, ainda que as bolsas tenham reduzido as perdas depois do anúncio do Fed, a decisão só expôs o grau de fragilidade dos Estados Unidos.

Segundo ele, a principal pressão para as bolsas hoje veio da China, com um desaquecimento maior que o previsto.

"O mercado brasileiro é muito dependente dos números da China, principalmente o setor de siderurgia e mineração. E todo mundo já sabe que a economia americana vai demorar um tempo para andar", assinalou Monteiro.
No câmbio, o tom negativo do dia também ditou o rumo dos negócios. Ao final da jornada o dólar comercial apontava alta de 0,34%, a R$ 1,758 na venda. Na máxima a moeda foi a R$ 1,765. O giro estimado para o interbancário foi a US$ 2,3 bilhões.

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar encerrou com alta de 0,24%, a R$ 1,7574. O volume subiu de US$ 58,75 milhões para US$ 100,75 milhões.

Segundo o diretor da corretora Futura, André Ferreira, o tom negativo do dia foi garantido pela China, onde as bolsas caíram com força depois do baixo crescimento das importações, o que é visto como um sinal de menor atividade.

Já a esperada decisão do Fed, banco central americano, tem caráter positivo, diz o especialista. Afinal, o governo americano pode se financiar com juro zero, então nada mais interessante do que utilizar esse fácil acesso ao dinheiro para tentar impulsionar o crescimento.

Segundo Ferreira, o efeito "colateral" dessa medida deve ser a continuidade do movimento de baixa no preço do dólar ao redor do mundo.

No câmbio externo, o euro também perdeu valor para o dólar, mas defendeu a linha de US$ 1,31, depois de cair a US$ 1,30 nas mínimas. Já no mercado de commodities, o WTI caiu mais de 1%, e fechou ao redor de US$ 80 o barril.

No mercado de juros futuros, o pregão foi instável. Duas tentativas de baixa, uma pela manhã e outra pela tarde, parecem ter esbarrado em limites técnicos, pois os preços voltaram a testar e respeitar algumas linhas de preço já conhecidas. Com isso, a curva encerrou o dia com leve viés de alta.

A segunda tentativa de baixa aconteceu logo após a decisão de juros do Fed. Segundo o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, tal decisão do Fed concretiza a ideia de que os juros nos Estados Unidos seguirão próximo de zero por ao menos mais 12 meses. E isso quer dizer menor crescimento da economia mundial.

Tal avaliação macroeconômica reforça a percepção desenhada pelo próprio Banco Central do Brasil na ata de sua última reunião sobre a contribuição negativa da cena externa na inflação do mercado local.

"Isso dá força a ideia de encerramento do ciclo de alta de juros", resumiu o especialista, que acredita que o BC já concluiu o processo e que a Selic deve permanecer em 10,75%.

Antes do ajuste final de posições na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 subia 0,02 ponto, a 11,54%, depois de cair a 11,49%. Janeiro de 2013 apontava alta de 0,01 ponto, a 11,82%, mas chegou a fazer mínima em 11,74%. E janeiro 2014 também subia 0,01 ponto a 11,82%.

Entre os curtos, setembro de 2010 registrava alta de 0,01 ponto, a 10,64%. Outubro de 2010 também avançava 0,01 ponto, a 10,71%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, projetava 10,77%, sem alteração.

Até as 16h10, foram negociados 934.805 contratos, equivalentes a R$ 83,36 bilhões (US$ 47,53 bilhões), mais que o dobro do registrado na segunda-feira. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 300.255 contratos, equivalentes a R$ 28,83 bilhões (US$ 16,44 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)
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