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11/08/2010 - 14h50

Coutinho defende atuação do BNDES no crescimento do país

RIO - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, voltou a defender a atuação do banco como vetor dos investimentos do país. Ele considerou que a manutenção do aumento de capacidade produtiva das indústrias brasileiras é essencial para um crescimento sustentável e moderado em um "bom patamar." "A única maneira de crescer e manter os preços controlados é elevar a oferta. Então, é preciso investir e ampliar a capacidade produtiva da indústria", disse Coutinho. Ele disse haver necessidade de elevação da taxa de investimento e de poupança para níveis mais altos.

As perspectivas do banco preveem que o nível de investimento em capacidade produtiva em relação ao produto interno bruto (PIB) vai chegar a 19% no final do ano, em direção aos 22,2% do PIB em 2014. No entanto, o presidente do banco de fomento acredita que o Brasil tem condições de elevar ainda mais esse percentual. No entanto, o país passa pelo desafio de como financiar os investimentos com taxas e prazos adequados à realidade brasileira.

Coutinho acredita que, a partir de dados do próprio banco, é possível perceber que não há arrefecimento da demanda interna do país, o que poderia afetar os investimentos. "Os fundamentos para a manutenção do consumo são muito fortes, como o aumento da criação de empregos formais e a emergência da classe C. Não há porque esperar que a desaceleração do consumo seja estrutural, é um movimento cíclico, apenas", disse. Além disso, ele lembrou que o Brasil tem grandes volumes de investimento que não são dependentes do mercado consumidor interno, no curto prazo. Projetos de infraestrutura, de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica necessitam de decisões autônomas em relação à conjuntura de curto prazo. Além da exploração de petróleo, que também necessita de planejamento de longo prazo. Por isso a participação do BNDES se torna tão importante, na opinião do presidente do banco. "O Brasil não tem um sistema de financiamento privado de longo prazo e a responsabilidade recai sobre o BNDES", disse. A falta de financiamento de longo prazo foi vista como resultado do processo histórico pelo qual passou o país na estabilização da economia após a hiperinflação, quando era difícil para o setor privado emprestar por prazos mais longos. Houve necessidade de forte elevação da taxa de juros, o que dificultou ainda mais a realização de financiamentos de longo prazo pelo setor privado. "Seria injusto criticar o setor privado por não fazer crédito de longo prazo", acredita.

(Juliana Ennes | Valor)
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