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11/08/2010 - 10h28

Dólar acentua alta, cotado a R$ 1,768 na venda

SÃO PAULO - O mercado amanheceu pessimista devido a indicadores divulgados na China e a moeda americana observa alta desde o início da sessão desta quarta-feira. Há pouco, o dólar comercial tinha valorização de 0,56%, cotado a R$ 1,766 na compra e a R$ 1,768 na venda.

No mercado futuro, o contrato de setembro negociado na BM & F subia 0,76%, cotado a R$ 1,775.

A aversão ao risco fez com que os investidores comprassem dólar, pressionando o preço da divisa para cima. "Mesmo com os Estados Unidos em dificuldade, o dólar é a moeda forte. Quando há muita aversão ao risco, a divisa se fortalece contra todas as moedas", diz o sócio da Beta Advisors, Rodrigo Menon.

Evidência disso é o euro que registra hoje uma acentuada queda de 1,47% ante o dólar, cotado a US$ 1,2992. As commodities também observam declínio nesta manhã. Minutos atrás, o índice CRB, que mede o desempenho de uma cesta de commodities, tinha retração de 0,53%.

O Instituto Nacional de Estatísticas da China divulgou uma série de dados sobre a economia do país asiático. Apenas alguns vieram em linha com a expectativa do mercado. É o caso da produção industrial, que aumentou a uma taxa anual de 13,4% em julho, percentual ligeiramente inferior aos 13,7% registrados no mês anterior.

Por outro lado, as vendas no varejo registraram uma taxa anual de crescimento de 17,9%, no mês passado, abaixo dos 18,3% vistos em junho e do consenso de analistas, que esperavam um resultado próximo de 18,5%.
Já os investimentos em ativos fixos em áreas urbanas da China somaram, de janeiro a julho, 11,9 trilhões de yuan, o que representa um aumento de 24,9% frente ao mesmo período de 2009. Apesar da alta, essa taxa é menor do que os 25,5% registrados no primeiro semestre e frustrou o prognóstico de analistas, que apostavam em um resultado de 25,3%.

Em relatório, a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares, diz que, em conjunto, os indicadores chineses mostram uma desaceleração no ritmo de crescimento do país, "refletindo as iniciativas do governo para reprimir o crédito e a especulação imobiliária".

"Em nossa avaliação, essa desaceleração é saudável e positiva, uma vez que evita a formação de bolhas e desequilíbrios futuros, que poderiam gerar turbulências à frente. Mas não está sendo esta a interpretação dos players nesta manhã", diz Miriam, ao se referir ao pessimismo que marca a sessão desta quarta-feira.
Apesar de parte dos indicadores ter frustrado o mercado, o índice Shanghai Composite, da bolsa de Xangai, encerrou a sessão com alta de 0,47%, graças à expectativa de que o governo chinês retire algumas das medidas que havia adotado para impedir um crescimento descontrolado da economia.

Há pouco, os investidores souberam que o déficit comercial americano atingiu US$ 49,9 bilhões em junho, valor 19% superior ao resultado negativo de maio, de US$ 41,98 bilhões (revisado). O resultado é melhor do que esperavam os analistas, mas não foi suficiente para reduzir a aversão ao risco entre os agentes.

(Karin Sato | Valor)
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