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11/08/2010 - 11h54

Dólar segue em alta, em dia marcado pela aversão ao risco

SÃO PAULO - O clima de pessimismo está influenciando tanto o mercado de câmbio interno quanto o externo. Há pouco, o dólar comercial tinha alta de 0,73% ante o real, cotado a R$ 1,769 na compra e a R$ 1,771 na venda.
No mercado futuro, o contrato de setembro negociado na BM & F tinha um forte aumento de 1,04%, cotado a R$ 1,780.
Os investidores seguem repercutindo o comunicado feito pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ontem. De acordo com a autoridade monetária, a recuperação se dará em um ritmo mais lento do que o previamente antecipado. O Fed ainda deixou clara a necessidade de mais estímulos para incentivar a atividade econômica.
O mercado analisa também os dados divulgados na China pelo Instituto Nacional de Estatísticas do país asiático. Entre eles, o resultado das vendas no varejo, que registraram uma taxa anual de crescimento de 17,9%, no mês passado, abaixo dos 18,3% vistos em junho e do consenso de analistas, que esperavam um resultado próximo de 18,5%.
Já os investimentos em ativos fixos em áreas urbanas da China somaram, de janeiro a julho, 11,9 trilhões de yuan, o que representa um aumento de 24,9% frente ao mesmo período de 2009. Apesar da alta, essa taxa é menor do que os 25,5% registrados no primeiro semestre e frustrou o prognóstico de analistas, que apostavam em crescimento de 25,3%.

Hoje os agentes souberam ainda que o déficit comercial dos Estados Unidos atingiu US$ 49,9 bilhões em junho, valor 19% superior ao resultado negativo de maio, de US$ 41,98 bilhões (revisado). O total foi pior que o projetado por parte dos analistas, que esperavam déficit comercial de cerca de US$ 42,5 bilhões para o mês.

A aversão ao risco está levando à queda nas praças acionárias e fortalecendo o dólar ante outras moedas. Em Wall Street, minutos atrás, os índices Dow Jones e S & P 500 cediam mais de 2%. Por aqui, o Ibovespa tinha perda superior a 1,8%. Já na Europa, o londrino FTSE-100 cedia 2,1%.
Há pouco, o euro tinha acentuada queda ante a divisa americana, de 1,94%, cotado a US$ 1,293. Os preços das commodities também caem. O índice CRB, que mede o desempenho de uma cesta de commodities registrava declínio de 0,66%.

O diretor de câmbio da Renova Corretora de Câmbio, Carlos Alberto Abdala, explicou que, apesar da posição "extremamente vendida" de bancos e estrangeiros, notícias como as que foram divulgadas na China e nos EUA acabam exercendo pressão no mercado de câmbio interno.

"Os dados forçaram uma desvalorização do real, apesar dessa âncora (a posição vendida dos agentes)", disse. "Quando o estrangeiro que está no mercado acionário busca uma realização, é normal que ele procure proteção em sua própria moeda".
De qualquer forma, é importante ressaltar que não há espaço para uma valorização acentuada do dólar no câmbio interno. "Não fosse o peso dos vendidos, a moeda teria subido mais", enfatizou Abdala.
Ele explicou ainda que muitos operadores podem interpretar os fatores que influenciam neste momento o câmbio como pontuais e passageiros. "Não dá para sair desmontando posições, por isso alguns investidores ficam apenas observando os acontecimentos", disse.
O mercado está esperando a capitalização da Petrobras, lembrou o diretor de câmbio. "Se a operação for adiada novamente, haverá desespero no mercado, porque essas posições vendidas já deveriam ter sido desmontadas há muito tempo", avaliou.

(Karin Sato | Valor)
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