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11/08/2010 - 13h07

Humor piora no mundo, mas dólar sobe com moderação

SÃO PAULO - O tom negativo que pauta os mercados globais também determina a formação da taxa de câmbio do mercado local. No entanto, a reação não é proporcional à queda no preço de ações, commodities e outras moedas.

Por volta das 13 horas, o dólar comercial apontava alta de 0,62%, a R$ 1,767 na compra e R$ 1,769 na venda. Na máxima, a moeda foi a R$ 1,775.

No mercado futuro, o dólar com vencimento em setembro, negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), avançava 0,85%, a R$ 1,777. Já no câmbio externo, o euro desaba mais de 2%, perdendo o importante suporte de US$ 1,30. Há pouco, a moeda valia US$ 1,289. E entre as commodities, o barril de WTI cai 2,5%, operando na linha de US$ 78,00. Em Wall Street, o Dow Jones, o Nasdaq e o S & P 500 caíam mais de 2% cada. Por aqui, o Ibovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), recuava 1,90%.

O que ajuda a explica essa reação mais modesta no câmbio local quando comparado com outros ativos são as posições vendidas (posições pró-real) no mercado à vista e futuro e o fato de que a moeda brasileira não acompanhou o forte movimento de melhora pelo qual o mercado passou em julho. Ou seja, se o real não subiu muito no mês passado, não tem motivo para afundar agora.

As justificativas para tamanho mau humor nesta quarta-feira são duas. A piora na avaliação do Federal Reserve (Fed), banco central americano, sobre a atividade nos Estados Unidos, e dados menos robustos sobre a economia chinesa.

No meio disso, cabe lembrar que existia o espaço para uma realização de lucros depois do rali de alta que ações, commodities e outros ativos registraram durante o mês de julho.

Um indicador que capta bem o "medo" do mercado é o VIX, que mede a volatilidade das opções do mercado americano. O índice sobe 16%, para a linha dos 25,97 pontos, maior leitura desde meados de julho, mas menos da metade do pico de aversão ao risco de maio.

De volta ao mercado local. Como acontece toda a quarta-feira, o Banco Central apresentou os dados parciais sobre o fluxo cambial. A primeira semana de agosto teve com fluxo positivo de US$ 1,79 bilhão, resultado de entradas líquidas financeiras de US$ 2,38 bilhões e saída comercial de US$ 591 milhões.

No mesmo período, as atuações do Banco Central no mercado à vista tiraram US$ 1,15 bilhão de circulação. Com isso, o saldo efetivo para o mercado ficou positivo em US$ 640 milhões.

Essa foi a segunda semana consecutiva em que o Banco Central não comprou moeda além do fluxo. Cabe lembrar que na última semana de julho, o fluxo efetivo do mercado fora positivo em US$ 2,34 bilhões, resultado de um fluxo positivo de US$ 3,01 bilhões e compras de apenas US$ 671 milhões do BC. Vale destacar que esse dólar que sobrou no mercado ajudou os bancos a reduzir sua posição vendida no final de julho para US$ 10 bilhões. Esses US$ 640 milhões que sobraram na semana passada também devem ter tido o mesmo destino.

(Eduardo Campos | Valor)
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