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12/08/2010 - 07h46

Bovespa volta aos 65 mil pontos e dólar sobe a R$ 1,77

SÃO PAULO - Pelo segundo dia seguido, China e Estados Unidos foram os assuntos que determinaram o rumo dos mercados. E como as notícias não foram boas, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perdeu mais de 2% e o dólar fechou em alta. Já no mercado de juros futuros, a surpresa com o varejo doméstico estimulou a compra de contratos curtos.

Os analistas domésticos e externos creditam o mau humor do dia à piora na avaliação do Federal Reserve (Fed), banco central americano, sobre a atividade nos Estados Unidos, e dados menos robustos sobre a economia chinesa.

No entanto, cabe lembrar que tinha espaço para uma realização de lucros, pois os investidores ainda não tinham colocado no bolso os ganhos acentuados registrados no mês de julho.

Em Wall Street, o Dow Jones começou o dia caindo 2% e terminou a jornada com baixa de 2,49%, aos 10.378 pontos, maior queda diária desde o final de junho. O S & P 500 perdeu 2,82%, aos 1.089 pontos. Já o Nasdaq afundou 3,01%, para 2.208 pontos.

Na Bovespa, as vendas foram generalizadas e o Ibovespa caiu 2,13%, para fechar aos 65.790 pontos. Essa foi a maior baixa desde 29 de junho (-3,50%). O giro financeiro atingiu R$ 5,316 bilhões. Nos últimos quatro pregões, o índice acumula queda de 3,83%.

O analista sênior do BB Investimentos, Hamilton Alves, assinala que o mercado aproveitou os indicadores mais fracos para embolsar ganhos. Vale lembrar que, de 19 de julho a 2 de agosto, o Ibovespa havia apurado valorização de 9,91%.

"O Ibovespa subiu ao longo de 11 dias e com volume ainda maior que o desses dias de queda. Ainda tem muito investidor posicionado no mercado. Este mês deve ser de estabilidade do Ibovespa, uma pausa para se pensar, e hoje tivemos uma realização normal", comentou.

O operador gráfico da InTrader, Anderson Luz, também avalia que o investidor ainda não tem razões para se preocupar.

"Vemos um movimento de realização natural. O Ibovespa está enfrentando o primeiro suporte na região dos 65.200 pontos, que é o principal ponto de divisão de tendências, mas a queda deve parar por aí. O movimento segue bastante favorável, num ziguezague ascendente. Não é nada para o investidor se assustar no curto prazo", disse Luz. O câmbio local não escapou da piora de humor. No entanto, o ajuste de preço foi menos acentuado que o observado em outros mercados. Enquanto bolsas, commodities e outras moedas caíram mais de 2%, a variação no dólar comercial não chegou a 1%.

Ao final da jornada o dólar comercial apontava alta de 0,68%, a R$ 1,770 na venda, maior preço em duas semanas. Na máxima a moeda foi a R$ 1,775. O giro estimado para o interbancário foi a US$ 1,2 bilhão, metade do registrado ontem.

Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar encerrou com alta de 0,72%, valendo também R$ 1,770. O volume desabou de US$ 100,75 milhões para US$ 19,75 milhões.

Na avaliação do trader de renda fixa e câmbio do Banco Modal, Luiz Eduardo Portella, como o real não acompanhou o rali de alta nos ativos de risco durante o mês de julho, seria natural esperar que a moeda não perdesse valor em um momento de piora.

Pelas contas do especialista, a taxa de câmbio poderia ter recuado a R$ 1,72, o que não ocorreu em função da existência de um piso informal no R$ 1,75. Então, existia uma defasagem.

No entanto, ressalva Portella, se o mau humor persistir no mercado externo, o quadro muda de figura, e a formação de preço do real passa a andar lado a lado com outros ativos.

Para o trader, todo esse pessimismo de hoje não tem caráter passageiro. O mercado parece voltar à realidade de que as perspectivas macroeconômicas não são nada favoráveis.

No câmbio externo o ajuste foi bem mais acentuado que no mercado local. O euro desabou mais de 2%, perdendo o importante suporte de US$ 1,30.

Os contratos de juros futuros encerraram o pregão de quarta-feira sem direção definida. Os contratos até janeiro de 2012 acumularam prêmio de risco, enquanto os vencimentos mais longos voltaram a apontar para baixo.

O aumento da inclinação nos curto pode ser relacionado à surpresa com o desempenho do comércio varejista em junho. As vendas subiram 1%, superando as previsões do mercado que estavam dispersas entre alta de 0,5% e queda de 0,5%. Tal dado reforça a corrente de mercado que espera mais um ajuste na Selic agora em setembro.

Já o movimento de baixa entre os contratos longos decorre da piora na percepção com relação à atividade global.

Segundo o analista da Apregoa.com, Jason Vieira, o fato é que o acúmulo ou devolução de prêmios de risco não mudou a estrutura da curva futura.

O mercado segue pautado pela dúvida sobre qual será a atitude do Comitê de Política Monetária (Copom) no seu encontro de 1º de setembro.

"O mercado está na dúvida entre nova alta de meio ponto, ajuste de 0,25 ponto e estabilidade em 10,75%", disse Vieira. Por isso mesmo a curva oscila, mas não ganha direção firme para nenhum lado.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2010 registrava alta de 0,01 ponto, a 10,65%. Outubro de 2010 também avançava 0,01 ponto, a 10,71%. Janeiro de 2011 projetava 10,79%, ganho de 0,03 ponto. E janeiro de 2012, o mais líquido do dia, subia 0,03 ponto, a 11,57%, depois de cair a 11,51%.

Entre mais longos, janeiro de 2013 apontava baixa de 0,04 ponto, a 11,76%. Janeiro 2014 também devolvia 0,08 ponto a 11,72%. E janeiro 2015 caía 0,06 ponto, a 11,70%.

Até as 16h10, foram negociados 950.300 contratos, equivalentes a R$ 84,57 bilhões (US$ 48,11 bilhões). O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 232.605 contratos, equivalentes a R$ 19,98 bilhões (US$ 11,36 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor)
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