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16/08/2010 - 17h57

CVM vê 2010 como ano positivo para captações na Bolsa

RIO - A presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana, acredita que 2010 vai ser melhor do que o ano passado em termos de captação de recursos das empresas abertas, por meio de emissão de dívida e de ações. Em 2008 e em 2009, devido à crise financeira internacional, o número de empresas que abriram capital foi muito reduzido, devendo começar a apresentar recuperação este ano.

Até agora, a CVM registrou oito IPOs, tendo ainda mais nove pedidos em análise. No ano passado, apenas cinco empresas estrearam na bolsa e, no anterior, foram somente quatro. Apesar da melhora para 2010, o mercado ainda está distante do que foi verificado em 2007, quando o país registrou 58 IPOs, e em 2006, com 24.

"Em 2010, ao que tudo indica, temos condições de afirmar que o ano vai ser melhor do que o ano passado em termos de captação de dívida e de ações. Há grandes operações ainda esperando passarem as férias no hemisfério Norte. A gente pode considerar que os volumes começam a voltar ao normal agora", disse Maria Helena, após participar de um almoço-palestra promovido pela Câmara Britânica, no Rio.
A presidente da autarquia acredita que a "seca absoluta" verificada no ano passado está sendo deixada para trás. No entanto, ainda haveria uma "seletividade" muito grande por parte dos investidores, com receio de assumir riscos.

"O volume financeiro de ofertas registradas não encolheu tanto. O número de companhias encolheu muito mais, o que indica que os investidores têm preferido empresas maiores, com medo do risco, com medo da performance de empresas de porte um pouco menor", disse.

A situação econômica favorável do país foi considerada um atrativo para investidores. O ambiente regulatório, muitas vezes considerado oneroso pelo mercado, protegeu o país de riscos sistêmicos, segundo Maria Helena.

"Mas também privou o país de um crescimento maior. De qualquer forma, o mercado vinha crescendo em 2008 sem incentivos artificiais, com empresas transparentes, regulação e supervisão do mercado, e com governança das empresas", disse.

A presidente da CVM não acredita que a regulação atrapalhe o país em relação a outros países. No primeiro semestre deste ano, o Brasil registrou US$ 4,5 bilhões em captações no mercado acionário. A Índia captou US$ 3 bilhões, a Rússia, US$ 1,1 bilhões, e o México captou US$ 500 milhões nos primeiros seis meses do ano.

Já a China registrou captações em IPO no volume de US$ 43,3 bilhões, muito à frente dos Estados Unidos (US$ 16,4 bilhões) e do Reino Unido (US$ 7,9 bilhões), ambos com um mercado mais consolidado.

Com a volta do crescimento do mercado brasileiro de capitais, o país voltou a ter crescimento líquido do número de empresas, já que, com o aumento da regulação, da exigência de transparência e da fiscalização, muitas empresas têm saído do mercado brasileiro. Hoje, há 374 empresas com ações em circulação.

(Juliana Ennes | Valor)
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