UOL Notícias Economia

BOLSAS

CÂMBIO

 

16/08/2010 - 13h12

Derivativos são página virada", diz Fibria

SÃO PAULO - Quase dois anos após registrar mais de US$ 2 bilhões em perdas com operações de derivativos, a Fibria (na época ainda separada em Votorantim Celulose e Papel - VCP e Aracruz) retoma seus planos de investimento. Ao quitar antecipadamente os US$ 511 milhões remanescentes de sua dívida com derivativos, a companhia pôs um ponto final às restrições que comprometiam seu desenvolvimento.

Como lição, ficou a parcimônia nas aplicações financeiras. "Hoje, a Fibria tem uma política conservadora de proteção. Operamos derivativos apenas visando nos proteger da variação cambial", diz João Elek, diretor financeiro e de Relações com Investidores da companhia. Os contratos de derivativos da maior produtora mundial de celulose branqueada de eucalipto, segundo Elek, somam US$ 400 milhões, valor que corresponde à totalidade dos compromissos em moeda estrangeira a vencer nos próximos 12 meses. "Derivativos são página virada", enfatiza Carlos Aguiar, presidente da Fibria.

Ao término do semestre, a Fibria registrava dívida bruta de R$ 13,209 bilhões, valor 18% inferior ao verificado um ano antes. Desse montante, R$ 9,353 bilhões, ou 71% do total, estavam em moeda estrangeira. A dívida líquida, por sua vez, somava R$ 10,846 bilhões, também 18% menor que a contabilizada em junho de 2009.

Nos últimos 12 meses, a companhia trabalhou para alongar o perfil de sua dívida, reduzindo de 34% para 16% a parcela com vencimento no curto prazo. O prazo médio de seus compromissos subiu de 47 para 70 meses, refletindo, entre outras ações, a nova emissão de eurobonds com vencimento em 2020.

Ao mesmo tempo, houve melhora no desempenho operacional da empresa. O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) cresceu 87% no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2009, passando de R$ 389 milhões para R$ 730 milhões, acompanhando o saldo de 26% para 40% na margem Ebitda no período.

A maior geração de caixa, combinada à diminuição da dívida, permitiu à companhia reduzir consideravelmente sua alavancagem. A relação entre a dívida líquida e o Ebitda caiu de 7,2 vezes no segundo trimestre do ano passado para 4,7 vezes no mesmo período deste ano. "Vamos administrar nosso nível de endividamento com extrema disciplina, sempre cumprindo com nossos compromissos", garante Elek.

Com a retomada dos investimentos, a Fibria prevê a tomada de novos financiamentos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico de Social (BNDES). Embora a implantação da segunda linha de celulose em Três Lagoas (MS) ainda esteja em fase de estudos, a empresa considera possível que 60% dos recursos necessários para o projeto venham de linhas de crédito do BNDES. Os outros 40% sairiam do caixa da companhia.

(Francine De Lorenzo | Valor)
Hospedagem: UOL Host