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16/08/2010 - 15h16

Eleição não deve gerar mudança profunda na gestão do BC, diz Meirelles

BELO HORIZONTE - O presidente do Banco central, Henrique Meirelles, afirmou hoje, em almoço com empresários em Belo Horizonte, que o resultado da eleição presidencial não deve implicar em mudanças profundas na gestão da autoridade monetária, porque "haverá muito pouco campo de manobra para a tentativa de políticas irresponsáveis. A população não quer aventuras."
Meirelles disse não precisar falar qual dos candidatos está mais comprometido com um Banco Central independente na prática. "Todos podem avaliar isso", afirmou.

O presidente do Banco Central disse que os problemas econômicos atuais no Brasil são "produtos de nosso sucesso", citando entre eles o congestionamento dos aeroportos e a escassez de mão de obra especializada. Meirelles afirmou que o Banco Central está permanentemente atento ao risco de se formar uma bolha imobiliária no Brasil. "O que está ancorando o desenvolvimento do setor imobiliário é o aumento da massa salarial e do crédito a longo prazo. O segredo para evitar bolha é não permitir que haja um aumento do crédito excessivo face a massa salarial. A defesa contra isso é a regulamentação prudencial do Banco Central."
Meirelles afirmou que a previsão da relação dívida líquida do setor público frente ao PIB de 40,9%, em dezembro deste ano, conforme avaliações do mercado, só foi atingida em razão da política de rigor fiscal do primeiro mandato do presidente Lula. Meirelles avaliou que se não se realizar nos países da Europa e nos Estados Unidos uma mudança de política e um ajuste duro, a relação desse indicador (dívida líquida do setor público frente ao PIB) irá para 100% ou mais na maioria dos países.

(César Felício | Valor)
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