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16/08/2010 - 17h23

Operação padrão atinge 10 plataformas da Petrobras

RIO - A operação padrão posta em prática hoje pelo Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro NF) atinge 10 plataformas de produção da Petrobras na bacia de Campos, além da P-33, retirada da operação por determinação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

De acordo com Valdick Oliveira, diretor de formação do Sindipetro NF, o objetivo do movimento, que acontecerá apenas hoje, é chamar a atenção para as condições de segurança nas plataformas da estatal, sem incluir na pauta reivindicações salariais. A data foi escolhida para lembrar os 26 anos do acidente na plataforma da Enchova, no qual morreram 37 trabalhadores da companhia.

O sindicalista ressaltou que a operação, batizada de "Chega de Contar com a Sorte", não tem por objetivo reduzir a produção nas plataformas, mas apenas diminuir a produtividade por empregado, já que o número de tarefas realizadas diminui.
Oliveira explicou que a intenção do Sindipetro NF não é mudar as normas de segurança, mas apenas obrigar a companhia a cumprir o que está determinado nos manuais.

"É só executar o que já está escrito hoje. O que não tem é coerência entre o que está escrito e o que é feito", disse Oliveira, acrescentando que até o momento o sindicato não foi procurado por representantes da companhia.

Procurada, a Petrobras confirmou que a operação não afeta a produção da companhia. A empresa não confirmou quantas plataformas foram atingidas pela operação padrão.

No Rio de Janeiro, continua a manifestação de representantes do Sindipetro local, acorrentados à sede da companhia, no Centro da cidade, com o objetivo de chamar a atenção para a discussão salarial deste ano.
De acordo com Emanuel Cancella, secretário-geral do sindicato, há um revezamento entre os manifestantes, mas o comando do sindicato mantém ao menos quatro trabalhadores no local desde quarta-feira.

Cancella explicou que a companhia só apresentou proposta para a questão econômica, enquanto que o que chamou de encargos sociais - como o plano de cargos e salários - não foi discutido. Segundo ele, uma reunião hoje da Frente Única dos Petroleiros, que reúne 13 sindicatos, deve rechaçar a oferta da empresa e apontar um indicativo de assembleia para os sindicatos afiliados.

Questionado sobre a possibilidade de uma greve no curto prazo, Cancella se mostrou otimista. "Acho difícil que eles [Petrobras] não dialoguem. Não vão querer uma greve agora", disse, em referência à operação de capitalização, que pode ocorrer em setembro.

(Rafael Rosas | Valor)
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