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16/08/2010 - 15h01

Petrobras opera de lado, após balanço em linha com o esperado

SÃO PAULO - Após um resultado praticamente em linha com as expectativas do mercado, as ações da Petrobras não expressam reação ao balanço divulgado na sexta-feira e operam próximo da estabilidade no pregão de hoje.

Por volta das 15h00, os papéis PN da empresa subiam 0,32%, para R$ 27,75, e movimentavam R$ 227 milhões.

A Petrobras encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 8,29 bilhões, um aumento de 1,7% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita líquida cresceu 20%, para R$ 53,63 bilhões. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) somou R$ 15,93 bilhões, queda de 9,5%.

O nível de endividamento da empresa, por sua vez, está muito perto do limite de 35% autoimposto pela companhia. Ao fim do segundo trimestre deste ano, o indicador ficou em 34,74%, conforme os dados de dívida líquida e patrimônio líquido divulgados pela estatal. No fim de março, esse indicador estava em 32%, comparado a 28% em junho do ano passado.

Para a equipe de análise da Fator Corretora, o resultado operacional da Petrobras foi bom e veio em linha com suas expectativas.

"O destaque do trimestre foi a forte receita de vendas, derivada do maior preço de venda de petróleo e derivados e do maior volume de vendas, mas que não foi acompanhada por uma melhora nas margens operacionais, em função, basicamente, do menor resultado da divisão de Refino", apontou a instituição, em relatório assinado por Rodrigo Fernandes e Hering Shen.

Na avaliação da Ativa Corretora, o aspecto positivo do resultado foi a desaceleração do crescimento dos investimentos. Para a instituição, o movimento mostra "certo comprometimento da atual gestão com os limites de alavancagem no curto prazo, esperando que a capitalização, planejada para ocorrer até setembro, libere a empresa para voltar a acelerar desembolso de investimentos", observou, em relatório, a analista Mônica Araújo.

Na apresentação dos resultados no segundo trimestre, o diretor financeiro e de relações com investidores da Petrobras, Almir Barbassa, garantiu que a companhia tem fôlego para atingir a meta de investimento para este ano, de R$ 88,7 bilhões, apesar de nos seis primeiros meses do ano o volume investido ter atingido apenas R$ 38,1 bilhões. Em igual período do ano passado o volume aplicado pela estatal foi de R$ 32,5 bilhões.

Em relatório assinado pelo analista-chefe Andrés Kikuchi, a Link Investimentos observou que os números apresentados pela Petrobras superaram sua expectativa para o período, em função de menores despesas operacionais e financeiras no resultado consolidado do trimestre.

"Apesar de o lucro líquido e de o Ebitda terem superado nossa expectativa no trimestre, a elevada redução do resultado do segmento de abastecimento nos preocupa e deverá ser monitorada, pois é o segmento onde a Petrobras mais elevou os investimentos nos últimos trimestres e poderá reduzir ainda mais o retorno potencial dos mesmos nos próximos anos", afirmou o analista.

Para as três instituições citadas, o desempenho das ações da Petrobras segue atrelado à capitalização e ao preço do barril no processo de cessão onerosa.

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, garantiu hoje que a operação de capitalização da empresa ocorrerá em setembro e afirmou que a companhia não tem problemas de caixa.
O executivo explicou que os recursos que entrarão no caixa da empresa com a capitalização serão destinados ao longo prazo e frisou que há fôlego para manter os investimentos previstos.

(Beatriz Cutait | Valor)
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