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16/08/2010 - 12h30

População brasileira está envelhecendo, diz IBGE

RIO - O primeiro balanço do Censo 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comprova a tese dos economistas de que a população brasileira está envelhecendo, registrando crescimento considerado praticamente vegetativo.
Além disso, o arranjo familiar no Brasil está sendo modificado, com cada vez mais pessoas morando sozinhas e com famílias dirigidas por apenas uma pessoa, na maioria das vezes por mulheres.
Dos 9,6 milhões de domicílios já visitados pelo IBGE desde o início de agosto, foi possível perceber redução da média de moradores por unidade. No último censo, realizado em 2000, a média era de 3,8 pessoas por domicílio, enquanto neste ano a média já é de 3 a 3,4 moradores.

"Isso é reflexo do processo de envelhecimento da população, de crescimento quase vegetativo, e, principalmente, de uma mudança nos arranjos familiares no Brasil, o que mostra que vão encontrar muitos domicílios com pessoas que não são idosas morando sozinhas. Isso não é somente porque as famílias estão diminuindo, as famílias estão mudando", disse o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes.

A meta do IBGE é visitar 58 milhões de domicílios até 31 de outubro. Somente nas duas primeiras semanas de trabalho, já foram visitados 16,5% do total. Foram recenseados mais 33 milhões de habitantes, o que equivale a cerca de 17% da população.

Há locais em que o ritmo das entrevistas é mais rápido. Em Rondônia, 28,2% dos domicílios programados já foram recenseados. Em seguida, aparece Sergipe (27,2%) e Ceará (25,5%).

Nas grandes cidades, o ritmo de entrevistas realizadas pelo IBGE é um pouco mais lento, devido, em parte, à recusa de moradores em receber o recenseador, mas também pela dificuldade de encontrar o morador. Muitas vezes, o representante do IBGE vai a domicílios no horário em que os moradores estão trabalhando ou estudando, podendo voltar à noite ou no final de semana.

Em São Paulo, já foram recenseados 11% dos domicílios programados e, no Rio, 18,6%.
Na região norte do país, há dificuldades adicionais em realizar as entrevistas com os moradores, devido às grandes distâncias entre as casas e à existência de regiões com dificuldade de acesso.
O presidente do IBGE disse que a instituição não encontrou dificuldades em áreas consideradas de risco nas grandes cidades. No entanto, foram registrados problemas de acesso a condomínios de alto luxo. "Isso não é exclusividade do Brasil. Acontece no mundo todo."
Os estados do Rio Grandes do Sul, Santa Catarina e São Paulo registraram atrasos maiores na realização das entrevistas devido à demora na entrega dos coletes utilizados pelos recenseadores para a visita à população.

Dos 250 mil coletes encomendados, cerca de 40 mil não haviam sido entregues até o dia 1º de agosto, quando começou a pesquisa.

(Juliana Ennes | Valor)
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