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16/08/2010 - 16h27

Presidenciáveis vão receber carta para aderir ao site

Ficha Limpa
SÃO PAULO - O Instituto Ethos, a Articulação Brasileira Contra a Corrupção e a Impunidade (ABRACCI) e o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) encaminharam hoje uma carta aos presidenciáveis questionando o fato de eles não terem se cadastrado, até o momento, no site Ficha Limpa.

Para fazer parte da lista, o candidato deve informar o registro de candidatura no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e documento declaratório de que não há condenações em outros Estados pelos crimes listados na lei da Ficha Limpa.

Também é preciso atestar um documento declaratório de que não renunciou a mandato para evitar cassação e termo de compromisso que disponibiliza endereço eletrônico para o acesso público com prestação de contas informando doadores, valores recebidos e gastos realizados na campanha.

O presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew, avaliou que os candidatos ao Palácio do Planalto devem dar o exemplo aos demais. Por isso a ideia de enviar a carta. "Quem não deve não teme", declarou. O site foi inaugurado no dia 29 de julho. Com a adesão do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), são 36 políticos inscritos, sendo dois candidatos a governos estaduais, seis para o Senado e 28 para a Câmara dos Deputados.

Entre os 36 cadastrados, o PV e o PSOL são os partidos com maior número de inscritos. São sete no total para cada um. Na sequência aparece o PSDB com cinco, seguido por PT, DEM e PPS, com têm três cada um. Enquanto isso o PMDB está com dois. Já o PTC, PHS, PDT, PTB, PSB e PSC têm apenas um inscrito por legenda.

Além disso, 75 pedidos ainda não foram aceitos por conta de problemas na documentação. Desde a inauguração do site, houve seis denúncias de falta de atualização das contas. Assim que a administração do site entrou em contato com as respectivas assessorias, todos esses candidatos atualizaram as informações.

Luciano Santos, do MCCE, ressaltou que políticos suspeitos de corrupção, mas sem condenação por um órgão colegiado, poderão se cadastrar no site. Segundo ele, isso pode, inclusive, ser usado de forma eleitoreira. "O site não é um selo de qualidade para atestar que o candidato é ficha limpa. Mas ele pode usar desta forma", disse Santos.

Para Grajew, no entanto, o tiro pode sair pela culatra, já que quem se cadastrar no site terá a ficha levantada pela imprensa e pelo público. Ele acredita que atualização dos gastos de campanha semanalmente é uma das principais barreiras para uma maior adesão.
"Estamos tocando no nervo exposto do sistema político brasileiro. A maioria dos políticos brasileiros está a serviço de quem financia a campanha", observou o presidente do Ethos, que não espera uma adesão muito grande por parte dos candidatos.

(Fernando Taquari | Valor)
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