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17/08/2010 - 18h13

Ânimo externo contagia e leva Ibovespa para a 4ª alta seguida

SÃO PAULO - A recuperação das bolsas americanas, diante de números positivos da economia e do setor varejista, e a valorização expressiva das "blue chips", principalmente dos papéis da Petrobras, ajudaram o Ibovespa a consolidar o quarto pregão seguido de ganhos.

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou as operações com alta de 1,32%, aos 67.583 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 5,617 bilhões. Nos últimos quatro dias, o Ibovespa acumulou apreciação de 2,73%.

Em Wall Street, após cinco quedas seguidas, o índice Dow Jones teve alta de 1,01%. Já o Nasdaq registrou valorização de 1,26% e o S & P 500 subiu 1,22%.

O bom desempenho das bolsas internacionais ganhou respaldo em números mais animadores da economia americana, que tem sido foco de preocupação nas últimas semanas.

O Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, anunciou hoje que a produção industrial do país aumentou 1% em julho, após recuar 0,1% um mês antes (número revisado).

Além disso, o Índice de Preços ao Produtor nos Estados Unidos (PPI, na sigla em inglês) avançou 0,2% em julho, na primeira alta em quatro meses.

"Hoje foi um dia em que os mercados amanheceram de bom humor, com boas sinalizações para deixar de lado a aversão a risco, o que se refletiu em alta nas bolsas e das moedas ante o dólar. Os dados nos EUA, principalmente da produção industrial, afastam um pouco o temor de que a economia pode estar resvalando para a recessão", comentou o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

No setor corporativo, os investidores ainda receberam bem os dados da rede de varejo Home Depot, que apresentou lucro líquido de US$ 1,192 bilhão no segundo trimestre do ano (US$ 0,72 por ação).

Já o Wal-Mart registrou lucro líquido de US$ 3,6 bilhões (ou US$ 0,97 por ação) no segundo trimestre, superando em 3,6% o lucro líquido obtido em igual período do ano passado.

"O resultado das varejistas veio bom e mostrou que o consumo do país segue forte, mesmo neste momento de crescimento mais lento. O consumo poderá ser mais uma vez um dos pilares de sustentação para a recuperação da economia americana", comentou o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger.

No front doméstico, destaque para a valorização de 2,49% dos papéis PN da Petrobras, para R$ 28,30, com giro de R$ 439,6 milhões.

O diretor financeiro e de Relações com Investidores da estatal, Almir Barbassa, afirmou hoje que, caso o limite de 35% imposto pelo Conselho de Administração da companhia na relação entre o endividamento líquido e a capitalização líquida seja ultrapassado, não haverá mudança "completa" na situação da empresa.

Em teleconferência com analistas, o diretor garantiu que um eventual adiamento da operação de capitalização da companhia com a posterior ultrapassagem do limite de 35% - no segundo trimestre, a companhia atingiu 34,74% - não significará um imediato adiamento de projetos e redução de investimentos.

Além disso, o ministro de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, disse ontem que, no próximo dia 23, será definido o preço final do barril de petróleo extraído do pré-sal que será utilizado no processo de cessão onerosa à Petrobras.

Ainda entre os principais giros do dia figuraram os papéis PNA da Vale (1,36%, a R$ 43,97), que movimentaram R$ 585,4 milhões, e as ações ON da OGX Petróleo (3,90%, a R$ 20,47), com total negociado de R$ 339,7 milhões.

As ações PN da TAM voltaram a liderar as valorizações do Ibovespa (5,21%, a R$ 37,9), seguidas pelos papéis ON da Rossi Residencial (4,06%, a R$ 16,12) e ON da mineradora MMX (3,64%, a R$ 12,8).

Na ponta oposta, destaque negativo para as ações ON da Tim Participações (-1,97%, a R$ 7,45), PN da Vivo (-2,35%, a R$ 41,5) e ON da JBS (-2,52%, a R$ 7,72).

Fora do Ibovespa, as atenções recaíram sobre os papéis ON da Odontoprev, que dispararam 7,17%, a R$ 18,97. A empresa anunciará amanhã, após o fechamento do mercado, uma grande operação, semelhante à parceria fechada com a Bradesco Dental em outubro do ano passado.

Na época, 43,5% da maior operadora de planos odontológicos do país foi comprada pela Bradesco Saúde.

(Beatriz Cutait | Valor)
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