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17/08/2010 - 15h07

Ataques a Dilma e o governo marcam debate entre candidatos a vice

SÃO PAULO - O primeiro debate entre os candidatos a vice-presidente foi marcado pelos ataques do deputado Indio da Costa (DEM-RJ) a Dilma Rousseff (PT) e o governo federal. Vice na chapa tucana, o demista adotou uma postura ofensiva num momento em que as pesquisas apontam para um aumento da vantagem da candidata petista sobre José Serra (PSDB).

Para Indio, o governo Luiz Inácio Lula da Silva teve um papel "frouxo" no combate às invasões de terras pelo Movimento dos Sem-Terra (MST). Mais uma vez, afirmou que a situação deve permanecer igual em um eventual governo de Dilma. Assim que teve a palavra, o vice da candidata petista, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), rebateu as declarações do adversário e argumentou que a ex-ministra da Casa Civil, se eleita, não vai tolerar o que estiver fora da lei.
"Essa pode ser a posição de Temer, mas não é a da Dilma. Ela botou o boné do MST, confraternizando com o pessoal deles. Depois o Stédile (João Pedro Stédile, líder do MST) disse que no governo Dilma ia ser 'molezinha' invadir terra. Esse governo foi frouxo com as invasões", disse Indio.
Antes, o demista já havia feito um ataque direto a Dilma ao lembrar que ela encabeçava a lista de convidados de uma CPI no Congresso que investigou o mau uso dos cartões corporativos.
O suposto envolvimento do PT com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) voltou à tona no debate. Pivô da polêmica, Indio voltou a questionar a relação entre petistas e a organização colombiano e enfatizou que Dilma ainda deve uma resposta satisfatória sobre o assunto. "Se me chamassem para uma reunião com as Farc, eu levava a polícia federal e mandava prender, não tem conversa", afirmou.
Ao longo do debate, Temer foi cauteloso nas respostas, fugiu de polêmicas e procurou estabelecer um estilo conciliador. O papel de moderador é o mesmo com o que pretende mediar as relações do PMDB com o PT caso a coligação seja vitoriosa nas eleições de outubro.
Apesar disso, não deixou de responder as acusações mais fortes de Indio. "Relacionar a Dilma com o narcotráfico é uma coisa grave. Dilma é contra as drogas. As Farc podem ter relações internacionais, mas não na política brasileira", salientou.
Temer também aproveitou a oportunidade e ironizou uma declaração do adversário, que durante o encontro lembrou de uma entrevista em que o presidente Lula teria sugerido que as Farc se transformassem em um partido político.
"Nunca ouvi isso, mas se ele (Lula) falou, talvez estivesse propondo um caminho democrático, porque não quer nada de movimento guerrilheiro, nada de subterrâneo", disse o presidente da Câmara, que recordou de uma iniciativa na Rússia de criar um partido político direcionado aos "bebedores de cerveja".

"Mas cervejinha não é cocaína ou crack, colega Temer. Eu teria vergonha de propor ao Comando Vermelho ou ao PCC que virassem partido", emendou Indio. Ao final do evento, o presidente da Câmara classificou a comparação como infeliz e lamentou a tentativa de Indio de "reduzir o nível do debate". No entanto, não soube dizer se a ofensiva de Indio estaria relacionada às pesquisas, que mostram um distanciamento de Dilma sobre Serra.

"Do nosso ângulo, jamais reduziremos o nível da campanha. Sendo possível, nós elevaremos. Creio que tentei fazer isso hoje. Fiz todos os elogios possíveis ao Indio. Ele é uma boa figura", disse Temer. O demista, por sua vez, rejeitou o rótulo de agressivo e argumentou que apenas diz a verdade. Ele ainda evitou comentar as pesquisas. "Eu ganho na urna", desconversou.

No meio do fogo cruzado estava o candidato a vice de Marina Silva (PV), o empresário Guilherme Leal, que assim como a companheira de chapa ao longo da campanha, tentou dar um caráter mais programático ao debate.
Sempre que pôde, defendeu um novo modelo de desenvolvimento ao país, capaz de criar uma economia de baixo carbono. Além disso, fez críticas pontuais ao governo Lula, sobretudo em relação aos gastos com o custeio da máquina e o loteamento político de cargos públicos.
Leal, contudo, demonstrou falta de traquejo político para evitar a polarização dos adversários, que considerou natural. "É uma briga de comadres em que eu não queria entrar", afirmou. Antes, o empresário já tinha evitado polemizar sobre as Farc.

(Fernando Taquari | Valor)
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