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17/08/2010 - 08h02

Bovespa começa semana em alta e dólar cai a R$ 1,757

SÃO PAULO - A semana começou de forma positiva para os mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou a se descolar da instabilidade externa e fechou com alta. Já o rumo dos negócios com câmbio e nos juros foi determinado pelas declarações do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Pela ordem, as ações da Vale e da OGX Petróleo ajudaram o Ibovespa a marcar mais um pregão positivo. O índice subiu 0,66%, encerrando aos 66.701 pontos. O giro financeiro atingiu R$ 8,833 bilhões, sendo R$ 3,69 bilhões referentes ao vencimento de opções sobre ações. Na quarta-feira acontece o vencimento do índice futuro.
As ações da TAM, que foram destaque na sexta-feira, ao saltar quase 30%, seguiram com o maio volume do dia, R$ 610 milhões, mas terminaram a jornada com leve baixa de 0,49%, a R$ 36,02. Vale lembrar que na máxima a ação chegou a R$ 40,20, o que representa alta de 10,05%. Os papéis se ajustam ao termos da fusão com a chilena LAN.

Em Wall Street, o pregão foi errático e o Dow Jones fechou com leve baixa de 0,01%, aos 10.302 pontos. O S & P também mostrou variação marginal de 0,01%, só que positiva, para 1.079 pontos. Mais firme, o Nasdaq avançou 0,39%, para 2.181 pontos.

No mercado de câmbio, o tom vendedor foi estimulado pela fala do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que garantiu que a operação de capitalização da estatal ocorrerá em setembro e afirmou que a companhia não tem problemas de caixa.

Vale lembrar que a operação estava planeja para julho, mas foi adiada, o que abriu espaço para uma série de especulações sobre a possibilidade de novo atraso ou mesmo cancelamento da operação, que soma, ao menos US$ 25 bilhões.

Ao final da jornada, o dólar comercial apontava baixa de 0,84%, a R$ 1,757 na venda. Vale lembrar que na semana passada, o preço tinha subido 0,74%. O giro estimado para o interbancário foi de US$ 3 bilhões, o dobro do registrado na sexta-feira.

Na roda de "pronto", da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) o dólar caiu 0,86%, e também fechou a R$ 1,757. O volume subiu de US$ 81,75 milhões para US$ 131,5 milhões.

Segundo o superintendente de tesouraria do Banco Banif, Rodrigo Trotta, os agentes devem aguardar notícias mais detalhadas sobre a capitalização antes de ampliar suas posições vendidas.

Atenção hoje aos dados sobre as posições no mercado futuros referentes ao pregão de segunda-feira.

O especialista também não descarta a possibilidade de que o dia contou com algum movimento combinado de entrada de recursos externos no país para investimento em juros futuros. A curva perdeu prêmio de forma acentuada, mostrando grande demanda dos investidores. Tradicionalmente, os aplicadores em juros longos no Brasil são os estrangeiros.

Apesar desse quadro positivo, Trotta acredita que o dólar continuará tendo dificuldade em ir abaixo de R$ 1,75, que se configura como piso informal do mercado.

Segundo o especialista, o que limita a queda do dólar é a preocupação com o uso do swap reverso - instrumento que significa compra de dólares no mercado futuro. "Essa espada continua sobre o mercado. Não fosse isso, o dólar já estaria abaixo de R$ 1,75 há bastante tempo."
No mercado de juros futuros, os contratos longos registraram forte movimento de baixa, mostrando interesse dos investidores em garantir rendimento prefixado, pois acreditam em juros menores no futuro.

Quem deu respaldo a essas apostas foi o próprio presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que em discurso disse que o Brasil está em um ciclo virtuoso de menor risco de inflação e que a taxa Selic vai convergir para "padrões internacionais" nos próximos anos.

Para o economista-chefe do Banco Safra de Investimento, Cristiano Oliveira, o recado de Meirelles foi claro: não devemos ter mais altas de juros agora em 2010, ou seja, a Selic fica em 10,75%.

Outra indicação que se extrai do discurso, segundo o especialista, é que a probabilidade de os juros permanecerem estáveis em 2011 sobe de 30% para cerca de 50%. No entanto, pondera Oliveira, não será surpresa se o mercado começar a trabalhar com queda de juros no ano que vem.

Antes do ajuste final de posições na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2010 apontava baixa de 0,01 ponto, a 10,63%. Outubro de 2010 devolvia 0,03 ponto, a 10,69%. E janeiro de 2011 recuava 0,02 ponto, a 10,75%.

Entre os longos o ajuste foi mais acentuado, janeiro de 2012, o mais líquido do dia, caía 0,15 ponto, a 11,33%, nova mínima para o ano. Janeiro de 2013 apontava baixa de 0,19 ponto, a 11,48%. E janeiro 2014 devolvia 0,21 ponto, também a 11,48%.

Até as 16h10, foram negociados 1.514.620 contratos, equivalentes a R$ 133,32 bilhões (US$ 75,25 bilhões), alta de 35% sobre o registrado na sexta-feira. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 491.855 contratos, equivalentes a R$ 42,49 bilhões (US$ 23,98 bilhões).

Ainda de acordo com Oliveira, a leitura da ata e essas recentes declarações de Meirelles aumentaram a chance de fim de ciclo de alta de juros. Olhando agora 2011, o especialista acredita que a condução da política monetária estará muito dependente da cena externa.

Segundo o economista, o quadro externo sugere que os ventos deflacionários podem se prolongar por um tempo maior. Oliveira lembra que a economia americana mostra uma fraqueza maior do que se imagina, ainda mais depois de tanto estímulo fiscal e monetário. O que sugere juros internacionais baixos por um longo período de tempo. "Pode ser uma oportunidade para o Brasil reduzir os juros reais", disse o especialista.

A essa conjuntura externa, soma-se a maior eficácia da política monetária no país, ou seja, se obtém o mesmo efeito sobre inflação e demanda com um aumento menor na taxa básica de juros.

Ainda de acordo com Oliveira, pensar em queda de juros já em 2011 seria um pouco prematuro, afinal a tomada de decisão estará muito dependente das condições internacionais.
Fora isso, não se pode esquecer que o Brasil vai continuar crescendo, mesmo que com menos força, o que pode gerar alguma pressão de preços sobre os bens não transacionáveis, como serviços. "Dado isso é um pouco prematuro trabalhar com cenário de queda de juros", concluiu.
(Eduardo Campos | Valor)
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